Abrindo-se as cortinas

Colégio Ítaca

16 Fevereiro 2016 | 12h53

Olá, estamos de volta. Depois de um merecido descanso vamos nos encontrar novamente neste espaço. Neste nosso retorno, o texto do professor João Furtado descortina a importância da experiência teatral na escola.

 

Abrindo-se as cortinas

Ao se trabalhar a linguagem teatral no processo de formação de um indivíduo, alguns aspectos normalmente saltam aos olhos, como, por exemplo, o desenvolvimento da sociabilidade entre os participantes, tornando-os mais seguros de si mesmos e de suas opiniões, inserindo-os no grupo de forma mais igualitária, de forma que todos tenham espaço de se manifestar, independentemente de diferenças de opiniões ou de “tribos” com as quais se identifiquem.
A experiência teatral proporciona, além disso, a tomada de consciência de nosso próprio corpo e suas potencialidades. Nosso corpo, nossa eterna casa nesta vida, é às vezes muito esquecido nesta sociedade tão ligada à racionalidade, outras vezes trabalhado sem integração, sob o olhar da vaidade. O corpo carrega nossa experiência, ele tem sua sabedoria, sua inteligência. E buscar o equilíbrio entre corpo e mente, criando uma ponte entre ação e pensamento, torna-se um dos objetivos importantes do fazer teatral.
Desenvolver o olhar, a sensibilidade, apurar os sentidos através de experiências sensoriais e de percepção, estar presente no aqui e agora, além de entrar em contato com pessoas diferentes, compreender opiniões diferentes que nos fazem abrir a mente e dialogar com elas, sem perder nosso ponto de vista, são algumas das características que dão base à prática do grupo, conhecendo-nos mais uns aos outros e a nós mesmos.
A criatividade – assim como a imaginação – é como um músculo que precisamos exercitar, se não trabalharmos ambas, elas acabam por ficar fracas, e a prática dessas potencialidades pode estar presente no nosso dia a dia, certamente abrindo diversos tipos de portas em nossos caminhos.
O trabalho de teatro que vem sendo desenvolvido há alguns anos no Colégio Ítaca, possui não só o caráter de interpretação de um texto, mas também o de criação de uma obra teatral em seu conjunto completo. Dessa forma, os participantes não são colocados apenas no papel de atores de uma representação, mas também no papel de dramaturgos e diretores, sendo instigados a se questionar e se posicionar em relação aos fatos da vida e do mundo que os cercam, e a criar poeticamente a partir dessas sensações. O trabalho de criação nos permite olhar para esses fatos de forma não só crítica, mas também prazerosa e divertida, aliviando o peso que muitas vezes carregamos e expandindo nossa percepção em relação a eles.
Criatividade, imaginação, sociabilidade, diversão, prazer, sensibilidade, crítica, opinião, sabedoria, equilíbrio entre corpo e mente, são alguns dos diferentes integrantes que caminham juntos nesse grupo maior que conhecemos por Teatro.

João Furtado (professor de Teatro)