Tião Rocha visita Colégio Friburgo

Tião Rocha visita Colégio Friburgo

Colégio Friburgo

05 Maio 2016 | 09h20

Tião Rocha veio ao Colégio Friburgo conversar com os professores e coordenadores do Friburgo e da Casinha Pequenina.
Antropólogo por formação, educador popular por opção política, folclorista por necessidade, mineiro por sorte e atleticano por sina; Tião é o criador da pedagogia da roda, da pedagogia do abraço, do brinquedo, do sabão e da oficina de cafuné. É idealizador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento. Sua experiência foi exportada para inúmeros países onde Tião é reconhecido como líder e exemplo a ser seguido. Premiado nacional e internacionalmente, Tião emocionou todos os presentes por sua coragem, determinação, vontade de mudança e atitude. Por sua dedicação às crianças e pelo amor e transformação, que acontece, quando se está disposto, disponível e entregue. Abaixo transcrição da aula que todos tiveram.
Essa ação faz parte do programa de formação e capacitação contínua dos professores.

O Centro popular de cultura e desenvolvimento – CPCD – surgiu como uma ONG, para Tião resolver seus próprios problemas. Tião foi professor durante muitos anos da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), mas começou a se questionar por volta de 1984. Queria ser educador, não professor. Educador aprende, professor ensina. Com a cabeça repleta de perguntas e um desejo enorme de aprender, o apaixonado por Guimarães Rosa mudou-se para Curvelo, no sertão mineiro. Tião não encontrou os personagens de Guimarães, mas muitas crianças sem escola. Não havia lá escolas suficientes pata tanta gente. Em sua angústia de responder à pergunta se poderia haver educação sem escola, Tião foi à uma rádio local e pediu aos ouvintes para o ajudarem a responder sua questão. Muitas pessoas participaram e resolveram conversar numa roda. Passaram dias conversando. Ninguém conseguia fazer projeções para o futuro, mas conseguiam ver o que não deveria ter acontecido no passado em relação à educação. Rodaram no mimeógrafo o que tinham de substrato para um futuro projeto e Tião foi atrás de Marcos Kisil, ex diretor da Fundação Kellogg para América Latina e Caribe. Marcos gostou do projeto de não objetivos, porém colocou em seu banco de ideias exóticas. Tião pegou os não-objetivos e resolveu, com sua turma, sair da conversa e ir a campo. Os 26 integrantes dividiram-se em duplas a fim de policiarem, um ao outro, sobre o que não deveriam fazer. Era uma exercício de desconstrução permanente. Cada dupla formava sua turma de meninos. No início, selecionavam os assuntos escolhendo os que achavam mais pertinentes. Desse modo, perdiam “alunos” porque eles se sentiam excluídos quando não votavam em seus assuntos. Perceberam, assim que começaram a trabalhar, que não poderiam perder nenhuma criança, então resolveram estudar todos os assuntos. “Para não excluir o indivíduo, não podemos perder uma ideia”. Conectavam, dessa maneira, as crianças e a primeira mostra que estavam no caminho certo foi a melhora de suas proposições. Essa experiência gerou o Projeto “Sementinha”, a escola debaixo da mangueira, com a certeza que seria possível fazer boa educação sem escola. Aí vieram mais perguntas… Onde estão os bons educadores? Impossível fazer boa educação sem bons educadores. Começaram a formá-los com o propósito de que educação é um fim e escolarizacão é um meio. O processo educativo tem de existir no plural. Educação é troca; sem isso, ela não existe. O educador deve ser movido a perguntas. A roda, nesse contexto, é fundamental. Ela não tem donos. A relação eu e outro é determinante quando esse movimento é equilibrado. As perguntas levarão a novos lugares e todos irão juntos. O mote do processo é aprender o outro, o diferente é o que nos completa. Aprender a ler o que vem do outro, sua cultura e seus significados. Essas são as formas do querer, saber e fazer. O bom educador aprende a ler o outro. Aprende a história do indivíduo que é mais importante que aprender a história do mundo. Primeiro o indivíduo, depois todo o resto. Educadores têm o privilégio de passar o mundo a limpo porque estão em contato direto com alguém e têm a oportunidade de construir valores nessa posição de aprendiz permanente e construtor de sua própria pedagogia. O olhar do educador tem de ir para o potencial de desenvolvimento humano. A transformação sempre vem de dentro pra fora. Aos poucos, depois de muitos anos de experiência, Tião Rocha percebeu que projetos não mudavam a realidade, só mudavam quem estava nos projetos. Foi aí que entendeu que é sempre necessária uma causa. Todos precisamos de causas. Viajou para diferentes parte do mundo( Moçambique, Namalina, Angola, Portugal, etc.. ) trabalhando e apreendeu, nesse processo tão rico de experiência e satisfação – pelo saldo absolutamente positivo, que para educar uma criança, precisa-se de toda uma aldeia. Tião Rocha continua trabalhando. Há 18 anos, o educador mantém suas iniciativas de desenvolvimento local no Vale do Jequitinhonha, de vento em popa. A aprendizagem é contínua. Mantém suas ações em diversas partes do país e exterior. Para quem quiser saber mais, entre no site: http://www.cpcd.org.br/ “Bons educadores são aqueles que geram processos permanentes de aprendizado e não repassadores de conteúdo”. Tião Rocha, educador, antropólogo e folclorista brasileiro, pensa em uma educação que respeita o tempo e aprendizado de cada um. Acredita que é possível uma educação plural, onde a educação acontece em qualquer lugar.

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