Uma página do inaceitável: o suicídio de jovens

Colégio FAAP

04 Maio 2018 | 12h28

Das páginas do noticiário, uma terrível notícia invadiu as mídias sociais provocando um verdadeiro surto de pânico nas escolas: uma sequência de suicídios de jovens.

Eventos trágicos como esses que, lamentavelmente, acontecem, ganham, hoje, uma dimensão espetacular no gigantismo e na velocidade das mídias digitais conferindo-lhes um potencial deletério muito maior.

Quando tomamos conhecimento das reações de nossos alunos e, conhecedores de como tais tragédias repercutem nos jovens, intensificamos aquela que, a nosso ver, é a única profilaxia para patologias sociais como essa: a convivência e o diálogo ininterruptos e atentos com a comunidade escolar, rastreando, em seu nascedouro, quaisquer desvios, quaisquer sinais e anomalias.

Nesse sentido, remetemos a um texto de Camus, “O mito de Sísifo”, no qual ele trata do suicídio pelo ângulo que nos interessa. Diz ele: “… é um gesto que se prepara em silêncio, no coração, da mesma forma que uma obra-prima. O próprio homem o ignora.”

Ou seja, é o desfecho de um processo. Não é, geralmente, um ato único, é passível de percepção por um observador mais atento, de avisos e sinais são emitidos. Nas escolas em que a orientação educacional trabalha em estreita colaboração com o corpo docente, quaisquer desvios de conduta são percebidos e, na maioria dos casos, situações mais agudas são evitadas. A profilaxia desses nefastos eventos é homeopática. Ações pontuais, quase sempre, são tardias e acabam por serem, tão somente, terapias do luto.

Na medida em que a escola assumiu parte das responsabilidades da família, o trabalho de acompanhamento do educando superou, de muito, a supervisão do desempenho intelectual para assumir sua essência: a de acompanhar o seu crescimento integral. Todo o restante é a permanência de um modelo educacional superado e arriscado, pois calcado nas falácias do ensino de massa travestido de sério. É evitar responsabilidades que, se não constam no contrato de prestação de serviços com a escola, são obrigações inalienáveis do educador.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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