Riscos, vantagens e cuidados no retorno às aulas

Riscos, vantagens e cuidados no retorno às aulas

Colégio FAAP

05 Fevereiro 2016 | 14h56

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Em nossas vidas, um grande perigo sempre reside naquelas atitudes opostas, ou de total segurança ou plena insegurança. Por mais conhecido que seja um ambiente humano, ele sempre será dinâmico e, portanto, mutável e não plenamente seguro. Por outro lado, por mais nova que seja uma cultura a que cheguemos, não podemos esquecer a incrível capacidade de adaptação humana, sobretudo, dos mais novos, aqui, objetos de nossa atenção.

Assim, algumas considerações gerais sobre o retorno às aulas, poderão aliviar tensões e alertar para descuidos que, muitas vezes, acabam por comprometerem o aproveitamento escolar –sugestões úteis em todos os níveis escolares porque reinício sempre será novidade.

Sem dúvida, a questão que envolve a adaptação às “novidades escolares”, mesmo que seja numa mesma instituição, constitui aquela que é a maior fonte de temores no retorno às aulas. Do estranhamento pelo novo até o temor pela rejeição são sentimentos que acometem o ser humano em inúmeras situações da vida e, sobretudo, para os jovens mais sensíveis e sempre carentes de aceitação e reconhecimento.

Conforme prevenimos no primeiro parágrafo, nunca podemos perder de vista a enorme capacidade de crianças e jovens em se adaptarem a novas situações, Passada a insegurança inicial, a homogeneidade peculiar aos grupos escolares e a natural propensão dos jovens a se socializarem, anularão, em poucos dias os temores iniciais.

Cabe aos pais, nesse início, atenuar temores, estarem muito próximos, mas sempre incentivar o educando a enfrentar suas dificuldades o mais independentemente possível, uma vez que são dores necessárias ao crescimento. É muito comum que pais aflitos, acabem por amplificar as dificuldades iniciais de adaptação, dando a elas dimensões e permanências descabidas, mesmo porque, os processos de adaptação têm prazos e ritmos muito peculiares a cada situação.

Evidentemente, sempre existirão casos mais agudos de adaptação que, confirmados, pedem ações coordenadas e conjuntas da escola e das famílias. A pronta resolução desse tipo de situação escolar é um dos melhores indicadores do acerto na escolha da instituição enquanto demonstrativo de sintonia, uma vez que depende de cuidadoso trabalho junto ao grupo escolar e junto à família para se obter, de forma natural a acomodação das diferenças. A aflição natural das famílias ao ver seus filhos infelizes pode, muitas vezes, provocar atitudes de protecionismo afoito que podem aumentar a insegurança do educando.

Da mesma forma, há que se dar atenção e cuidado àquelas crianças mais sensíveis e que, por isso mesmo, com mais dificuldades de adaptação cujos pais, querendo que elas “decolem na vida”, subestimem seu sofrimento e, querendo fortalecê-las, acabem patrocinando traumas de difícil superação.

Na outra ponta encontramos o perigoso comodismo a que se expõem os “veteranos”. Crentes que dominam o ambiente, se esquecem que, de uma série para outra, tanto professores novos, quanto mudanças de posturas dos antigos em relação a novas turmas, podem criar situações imprevistas que podem comprometer a estabilidade do processo de aprendizagem. Nada mais escorregadio que o chão falso do folclore de corredor que tenta dar os traços da cultura dominante de uma escola, mas que, muitas vezes, não correspondem ao mundo real.

Finalizando, aquele que, por óbvio, é o conselho mais desprestigiado no universo escolar para o retorno às aulas: comecem com a mesma aplicação e preocupação do último bimestre quando se administra com cuidado cada ponto de nota. Nada é mais danoso e comum do que a postura de que “é só início, ninguém vai dar nada de importante, depois compro o material, e quando chegarem as provas, pego para valer…”

Quer para assumir desde logo uma atitude séria de estudo, quer para mostrar junto aos professores e ao grupo uma postura positiva, um bom começo sempre será pré condição do vencedor, indiscutivelmente.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.
Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br