Para educar nativos digitais

Colégio FAAP

09 Fevereiro 2018 | 15h42

Desde há muito temos nos debruçado, de forma sistemática, sobre a pesquisa e análise do perfil desta geração que nos chega e que é designada por nativos digitais: aqueles que, tendo nascido sobre a égide da cibernética, apresentam diferenças profundas das gerações imediatamente anteriores.

Sempre me pareceu absurdo que os educadores, nem de longe, tivessem a mesma preocupação que o mercado tem em conhecer seus “clientes”. Como se pode educar se não temos conhecimento cuidadoso do perfil do sujeito da educação, o educando?

Somos, todos, vítimas do grosseiro engano de que nosso contato diário, por mais próximo que seja, nos permite conhecer, plenamente, nossos filhos: penetrar nesse novo universo que “complexificou” suas interioridades é o desafio que não pode ser enfrentado  por abordagens intuitivas e simplistas.

Chega a ser assustador assistir a construção de projetos educacionais que traçam objetivos considerando projeções futuras, apesar dos educandos.


Há pouco assisti a uma palestra onde se buscava entender um pouco o perfil dessa geração do milênio e, mais uma vez, fiquei preocupado com aproximações generalizantes e perigosas, como se pudéssemos, já, falar em nativos digitais completamente globalizados. Evidentemente que os espaços virtuais acentuaram traços globalizantes, mas não podemos nos esquecer que, mundo afora, as nacionalidades e as regionalidades têm mostrado agudas reações à globalização. Pesquisas sobre os jovens americanos podem lançar alguma luz sobre os nossos, jamais explicá-los!

Ou seja, carece de maior atenção o traçar um perfil fidedigno de nativos digitais nacionais, sob pena de continuarmos a construir projetos educacionais para seres inexistentes e, portanto, condenados ao fracasso em seu nascedouro.

Nosso Colégio promove, a cada ano, uma pesquisa do perfil de nossos alunos e, mais e mais, dados surpreendentes nos mostram diferenças insuspeitadas. Apesar de uma proximidade procurada e cotidiana com os nossos alunos, apesar de mantermos, em todos os níveis da vida escolar, canais abertos de comunicação, a dinâmica dos fatos e padrões de análise comprometidos, impostos por uma tradição superada, mascaram dados que, sem os quais, a difícil tarefa de educar resvala pelo impossível.

Se insisto nessa abordagem que pode, para alguns, parecer excessiva, o faço em consequência da disparidade entre o que alguns “especialistas” dizem e o que observamos no cotidiano.

De há muito, nós que trabalhamos no “chão de fábrica da educação” devemos nos munir de ferramentas mais sistemáticas para debelarmos essa terrível ignorância do conhecer nossas crianças e jovens e que se exprime em abordagens pedagógicas equivocadas e frustrantes.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br