Os riscos da tecnologia na educação

Colégio FAAP

08 Janeiro 2016 | 13h35

Em uma de nossas inserções falando dos Nativos Digitais, mencionamos a postura menos fetichista das novas gerações em relação às inovações: seguramente, eles têm uma visão muito mais pragmática do que as gerações anteriores que se deslumbravam a cada novo e sensacional salto tecnológico.

Alguns de nós que, nos tempos heroicos, lambuzamos as mãos em mimeógrafos, queimamos os dedos com projetores de slides e nos extasiamos com o aparecimento do videocassete reconhecemos, apesar das dificuldades iniciais de operar essa nova traquitana, a imensidão de possibilidades dessas novas ferramentas aos bem intencionados.

Mas, como “de boas intenções, o diabo nunca fica sozinho”, nos obrigamos a algumas palavras de reflexão sobre a utilização pedagógica dos novos recursos tecnológicos.

Como todas as ferramentas, o uso adequado, não importando preço ou capacidade de recursos, é fator essencial para que se obtenham resultados positivos no processo de aprendizagem: fartamo-nos de ver professores que transformaram suas aulas em verdadeiros soníferos didáticos ao, apagando as luzes, submeter seus alunos a belíssimas telas de Power point, onde a figura do professor era esmaecida e perdia a sua imprescindível função de motivador do aprendizado.

Como foram bizarros os esforços de impor, a golpes de mouse, os computadores em sala de aula em situações onde, nem a máquina, nem os conteúdos eram compatíveis ao que, de alguma forma, ficou na conta dos alunos, quer em custo financeiro, quer em aprendizagem comprometida.

É de suma importância que pais e professores jamais percam a dimensão da adequação dos recursos didáticos, pois nada é mais fácil do que nos perder na diversidade e complexidade de que dispomos, além de nos encantar com os meios, esquecendo nossos objetivos.

Mas, o risco maior é o do amesquinhamento do papel do educador em quanto coadjutor e incentivador do processo de aprendizagem, sobretudo, num momento em que estas novas gerações manifestam, mais do que nunca, grande carência humana, constante necessidade de interlocutores com as ciências e seus métodos áridos: um demonstrativo inequívoco de tal realidade é o ressurgimento dos contadores de história que recolocam na atualidade o mais antigo recurso didático.

Sempre caberá ao mestre artesão a delicada tarefa da escolha da ferramenta certa, sobretudo, quando a matéria-prima é o ser humano.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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