Os grandes educadores jamais morrem

Colégio FAAP

18 Maio 2017 | 15h00

A última semana nos trouxe duas tristes notícias, o falecimento de dois grandes educadores: o Professor Antônio Cândido, um dos mais insignes e, justamente, festejados intelectuais brasileiros e meu querido mestre e amigo Professor Luiz Gonzaga de Freitas, professor de Francês, ex-diretor do Colégio de São Bento e Professor Emérito da Academia Militar do Barro Branco de São Paulo, homem que me convenceu, depois de meu pai, da nobreza inigualável da educação.

A perda desses dois grandes mestres me permite algumas reflexões sobre o projeto educacional brasileiro e aquele que é seu maior desafio, formar docentes para implementá-lo.

Professor, filho de professor, esposo de professora e com filho professor, jamais tendo saído de instituições de ensino, vi a vertiginosa evolução tecnológica tomar de assalto nossas vidas e, com algum retardo, às escolas. Analisando os modelos educacionais mais exitosos da atualidade, em todos, os professores ocupam papel estratégico, deixando o aparato tecnológico em sua real dimensão de mera ferramenta.

Daí, nossa preocupação com reformas que não tenham, como ponto de partida, o incentivo e a formação de novos quadros docentes que possam tocar tais projetos, sem o que, serão fetos natimortos de altíssimos custos financeiros e civilizatórios.

A preparação de educadores capacitados a implementarem um novo projeto educacional é tarefa lenta, delicada e que começa pela oferta de incentivos concretos aos vocacionados: podemos constatar a imensa lacuna nesse quesito pelo quase desaparecimento das faculdades de formação docente.

Diversamente das legiões de inspirados por mestres como Antônio Cândido e Luiz Gonzaga de Freitas encontramos, hoje, alunos encantados por alguns mestres e que os admiram na qualidade de mártires ou heróis, enfim, como seres que devem ser idolatrados, mas não emulados.

É muito raro, numa turma de terceiro ano do ensino médio, encontrarmos vocações para o magistério. Da mesma forma, no ensino superior, os que se destinam à docência (como temos na FAAP o Núcleo Interdisciplinar), constituem uma elite de abnegados a um passo de uma canonização laica.

Triste da nação onde a educação é campo de heróis ou desesperados. Felizes aqueles que tiveram a sorte de encontrarem, em seus caminhos Antônio Cândido e Luiz de Freitas, seres que inspiraram gerações e que comprovam nosso título, pois os grandes mestres se perpetuam no panteão eterno das memórias de seus discípulos.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

0 Comentários