O tempo da educação

Colégio FAAP

16 Março 2018 | 16h36

Tempo, a mais humana e uma das mais cruéis variáveis de nossas vidas: tirano, parceiro, ameaçador. Submetê-lo ou, no mínimo, administrá-lo é o grande desafio de cada minuto na jornada da vida.

Na educação, no entanto, a gestão do tempo tem peculiaridades que devemos considerar com extremo cuidado, pois, como tudo o que diz respeito a tão delicada tarefa, os desvios podem trazer consequências desastrosas.

É muito frequente ouvirmos pais, alunos e professores usarem bordões de enganos educacionais: “perdi tempo demais nessa matéria”; “o professor perdeu muito tempo da aula conversando com a classe”; e, no limite dos equívocos, “meu filho não pode perder um ano de sua vida com essa reprovação!”.

Em tempo: sobre reprovações, há que se refletir com extremo cuidado sobre essa delicada ocorrência!

Já pertence à categoria do conhecimento consagrado a questão apontada por Piaget dos “tempos de cada indivíduo”. Mas modismos equivocados nos fazem perder de vista princípio tão elementar e essencial: indivíduos e grupos têm seus próprios ritmos de aprendizagem e desrespeitá-los é assumir riscos desnecessários, senão descabidos.

Cumprir, cegamente, programações, apesar dos alunos, é imolar aos deuses do mercado o educando. É sujeitar a educação aos ditames da visibilidade comercial.

O acesso ao conhecimento depende de uma sutil carpintaria que vai do insinuar, passa pelo desmistificar e deve chegar ao encantar. Para tanto, não pode haver engessamentos de cronogramas frios ou de metas propostas pela síndrome dos vestibulares, por exemplo: é um tempo que deve ser comandado pelas sutilezas do tempo do aluno e não pela tirania de fatores externos a ele.

O tempo do aprender requer a paciência infinita e, quase sempre, insuficiente que permita ao educando o autoconhecimento, a penetração na lógica das ciências e, acima de tudo, a validação do conhecimento pela sua conexão com a realidade. Qualquer outro parâmetro cronológico na educação será violência contraproducente e, quase sempre, destrutiva.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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