O coração de um projeto pedagógico: o Conselho de Classe

O coração de um projeto pedagógico: o Conselho de Classe

Colégio FAAP

24 Julho 2017 | 17h17

Quer para os leigos ou para nós educadores, não é demais lembrar a importância dos Conselhos de Classe como um dos órgãos onde se concretiza o projeto pedagógico de uma instituição de ensino.

Ao reunirmos todos os professores com a equipe pedagógica podemos ter uma dimensão mais fiel de como os objetivos pedagógicos da escola se concretizam naqueles que são os sujeitos do processo, os educandos. Quando se analisa, com cuidado e critérios, quer o grupo, como cada aluno, nas muitas realidades do processo de aprendizagem, podemos reconstruir situações que escapam às singularidades de cada aula, de cada estilo e das dificuldades inerentes às lógicas de cada ciência.

Ao professor, as comparações de desempenho de cada aluno, nos diversos espaços da escola, permite que ele vislumbre facetas desconhecidas que possibilitam abordagens mais efetivas. No caso de novos alunos, será na troca de informações que a equipe pedagógica irá construindo o perfil do aluno, localizando suas potencialidades, suas fragilidades e desenvolvendo estratégias de abordagens eficazes.

Para a equipe diretiva, esse mosaico de pontos de vista, esse mercado comum de estilos e dificuldades que envolvem a aprendizagem, permite uma observação mais acurada da globalidade do projeto pedagógico e de seu desempenho. Propicia ainda correções de rumo e ajuda a escoimar arestas que, ainda que diminutas, sempre têm respingos pedagógicos negativos.

Ao final de um semestre, quando grupos e alunos já revelaram os novos traços de seu perfil, a reunião mais detida dos Conselhos de Classe insinua, num primeiro momento, descobrir alunos desconhecidos apesar de veteranos. Nada mais deslumbrantemente mutante do que jovens na passagem vertiginosa de seus tempos, no qual semanas parecem anos.

É na sensibilidade às observações alheias, nesses conselhos, que encontramos os verdadeiros educadores, aqueles que se dão conta de que, em cada situação, os educandos reagirão de forma diversa, que um bom aluno de matemática pode não o ser em português; que um pequeno gesto pode conquistar ou afastar um jovem e, que isto, pode tornar um ser humano avesso a uma área do conhecimento. Quem não ama ou odeia uma disciplina em virtude de um professor em seu caminho?

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br