Novas gerações, novas modalidades de férias

Colégio FAAP

08 Dezembro 2017 | 17h00

Apesar de sugestões, de pedidos e de súplicas, após décadas assistindo alunos saindo e voltando de suas férias, ainda vejo que as famílias não se dão conta de que novas gerações pedem novas modalidades para melhor aproveitamento desse período.

Para os incautos que, eventualmente, possam achar que eu esteja fantasiando algo que não admite discussões (afinal, férias são férias!), buscarei demonstrar como esse róseo período de descanso e lazer, não enquadrado na modernidade, pode adquirir contornos negativos. Aliás, causa espanto como certos aspectos da vida contemporânea ainda sejam pensados de forma antiga, apenas travestidos de atualidade.

Quando todo o universo do trabalho e do estudo sofreram alterações qualitativas, como manter o descanso sem adequações proporcionais?

Há dúvida de que o cotidiano de nossas crianças e jovens é muito mais neurotizante e árido do que o das gerações anteriores? É possível ignorar que encaram agendas pesadas em longas jornadas? Quem duvida que o tempo que sobra para as novas gerações para brincar, conversar ou, até mesmo, dormir, escasseou ou, pelo menos, ficou engessado por modismos e obrigações que lhes negam parte da fantasia ou da liberdade que necessitam?

Fico apreensivo ao ver meus alunos voltarem de férias exaustos pelo cumprimento de roteiros de viagem e programas que, em boa parte, foram impostos pelas imagens de liberdade e lazer criadas pela mídia.

Pensar as férias como aquilo que realmente são em essência é mais do que um dever moral: é uma ação sanitária indispensável. É a possibilidade de ajustar os laços familiares, de conferir ao calendário condições de descanso como cada um precisa e deve ter.

Tem sido comum ouvirmos de jovens, que conhecem o mundo, dizerem, após feriados ou férias: “graças a Deus dormi e brinquei com o meu cachorro”.

Há sempre que se ponderar, em tudo, o quanto as imagens externas tornam as nossas vidas e as de nossos filhos vácuos de artificialidade e, portanto, de frustrações e infelicidade.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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