Ler, falar, existir: a comunicação, ferramenta essencial da humanidade

Colégio FAAP

12 Junho 2017 | 18h15

Nos anos de chumbo do Governo Militar, atendendo a diversos motivos, assistimos, na educação, o que à época chamamos a “ditadura das exatas”. Ficava subentendido, nas diretrizes educacionais, que eram importantes as disciplinas que pudessem instrumentalizar o crescimento econômico/tecnológico e que as humanas, relegadas, eram as “perfumarias da educação”.

Contra esse clima de obscurantismo pseudocartesiano usamos vários argumentos esclarecedores no sentido de dar o devido valor às humanidades e, sobretudo, à capacidade de análise crítica da realidade e de exprimi-la. Para tanto, insistíamos: “ninguém é bom se não for capaz de demonstrá-lo aos outros, falando ou escrevendo e contextualizando sua expertise”.

Recebi recentemente a mensagem de uma leitora deste Blog manifestando a preocupação com as limitações na capacidade de expressão desta geração de nativos digitais. Antes que nos contra-argumentem de que são novas formas de fazê-lo, lembramos que o cerne da questão é o da indigência estrutural das comunicações virtuais.

Para falar bem é essencial escrever bem e, para tanto, a leitura de textos de qualidade é o primeiro passo indispensável. Nesse sentido, mantemos em nosso Colégio a disciplina Círculo de Leitura onde uma abordagem especial permite à professora iniciar os alunos na leitura crítica dos clássicos da literatura; ficando patente que, bem estimulados, nossos alunos conseguem acessar textos de muita qualidade, apurando seu gosto pela leitura.


Em paralelo e se valendo do cabedal das leituras, um volume maior e bem direcionado de exercícios de redação vão consolidando o hábito correto do bem redigir o que, pensamos, seja uma prática comum aos bons colégios.

Uma última frente a se encarar com mais vigor nessa tarefa de tornar nossos jovens bem comunicativos é o exercício da exposição oral. Aulas de teatro, improvisos, seminários e exposições dirigidas têm sido incrementadas para se gerar nos educandos fluência oral, limando vícios, construindo um linguajar articulado, sem pedantismos. Em tempos em que personagens de destaque têm falas eivadas de vícios e erros primários, conduzir jovens ao bem falar, é facilitar o acesso ao mercado de trabalho sem limitações que comprometem carreiras promissoras.

Aos que se preocupam com o domínio de uma língua estrangeira, concluo lembrando que o nosso idioma é um dos fundamentos do nosso ser e, sem essa posse segura, somos seres fragilizados e incompletos.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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