Humanidades, projetos educacionais e distorções culturais

Colégio FAAP

17 Julho 2017 | 10h06

Nada é mais consolador para um operário da educação do que ver confirmada, por uma educadora do porte de Rosely Sayão, uma de suas mais caras bandeiras de luta: a valorização das humanidades como fundamento para a educação.

Em sua coluna semanal, Rosely retoma uma das mais antigas pendências da educação brasileira: a desvalorização das humanidades em favor dos enfoques “conteudísticos”.

Preteridas, nos anos de chumbo do autoritarismo, as humanidades eram postas na estante das “perfumarias” pelas “disciplinas sérias”, as exatas. Aquelas áreas do conhecimento que, além de implementar projetos de desenvolvimento, não se imiscuíam nas ameaças ideológicas. Resultado, uma elite política de péssima qualidade dando demonstrações clamorosas de total ausência de consciência cidadã e parindo projetos políticos natimortos.

Hoje, muitas escolas preocupadas em garantir posições privilegiadas nos rankings educacionais nacionais (objetivo nem sempre ético) e de colocarem seus alunos nos grandes vestibulares (objetivo justificável), menosprezam a formação humanística pelo espaço que ela possa representar nas cargas curriculares.


Dentre as nefastas e comprometedoras consequências que tal distorção provoca, pouca coisa é pior do que a falácia de que possa haver algum profissional que não tenha a dimensão humana de sua profissão. É o médico que desconhece a grande verdade  de que não existem doenças, mas doentes. É o equívoco de certos arquitetos que projetam casas apesar de seus moradores. Enfim, é o erro mortal do educador que se esquece que o sujeito da educação é o educando.

A carência de doses consistentes e bem trabalhadas de humanismo na formação é responsável pela produção de seres humanos insensíveis para com o outro. De gente que desconhece a solidariedade e a compaixão, pessoas desumanizadas que se pautam pelo sucesso financeiro e que, seguramente, morrerão falando sozinhas.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br