Educar, uma conspiração do bem

Educar, uma conspiração do bem

Colégio FAAP

31 Julho 2017 | 10h30

É uma constante sermos perguntados (num tom que varia da admiração à descrença), como educar nestes tempos onde o certo é o incerto, o correto desacreditado e a pós mentira a verdade de plantão?

No entanto, poucas respostas são tão fáceis e prazerosas. Se dizem que o medo criou os deuses, a esperança criou o educador.

Para todos os que educam (e eles não se resumem àqueles que estão nas instituições de ensino), a crença de que cada criança que nasce é um sinal concreto de esperança que permite que se continue, apesar de tudo e de tantos, a investir na humanidade.

Certamente, os pessimistas (que gostam, injustificavelmente, de ser chamados de realistas), nos atacarão com mais uma de suas intermináveis perguntas: mas como se pode educar hoje?

Prezados senhores (os pessimistas) que serão esquecidos pela história, as grandes vitórias de renovação da humanidade foram fruto de benignas conspirações. Assim, educar é uma conspiração incontrolável e espontânea que congrega, de forma irreversível, pessoas que não abrem mão de seus valores humanísticos e deles não desistem.

E é no sentido de tornar essa benfazeja conspiração mais efetiva que, no âmbito das escolas, conclamo as famílias a, superando vaidades e restrições, compartilharem com as instituições as vidas de seus filhos.

Em um blog anterior, tratei da importância dos Conselhos de Classe para a troca de informações necessárias para se traçar o perfil dos alunos, de forma a se poder desenvolver um trabalho mais efetivo, pois personalizado. Muitas foram às vezes que, detectando comportamentos estranhos de um aluno, descobriu-se que a família havia escamoteado informações importantes. Ou se confia na escola de seus filhos e, com ela, se compartilha seus problemas, ou se muda de instituição. Subtrair tais informações, mais do que uma demonstração de desconfiança, é evitar que problemas possam ser superados e, seguramente, criar novos.

Para nós, conspiradores do bem, menosprezar nossa união é permitir que os “realistas” tenham alguma razão, é esquecer que as grandes conspirações sobrevivem e vencem pela inquebrantável unidade.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br