Bons textos, excelentes companheiros

Bons textos, excelentes companheiros

Colégio FAAP

24 Agosto 2017 | 19h07

Voltamos, em mais um post, à questão da má qualidade do Português escrito e falado em nosso País.

Educado por grandes mestres da Língua – como meu próprio pai, Henrique Vailati Filho, e Domingos Marmo – me recordo, com muita saudade e respeito, de alguns dos preceitos que eles defenderam durante toda uma vida de magistério exemplar.

Entre as lições deixadas por esses professores, uma jamais se apagou e acabou se transformando num preceito de vida: nunca deixar de ter à mão um texto de boa qualidade, nem que seja uma singela página diária.

De fato, o distanciamento de textos de qualidade, mesmo para aqueles com uma boa formação, acaba por inocular os vícios e deformidades do mau coloquial que contamina o melhor uso da língua. Nestes tempos de comunicações virtuais telegráficas e eivadas de estruturas distorcidas, assistimos ao surgimento de dialetos monossilábicos e dissonantes que comprometem a qualidade da comunicação.

Houve tempo em que questionei a insistência dos professores de literatura no trato mais detido dos clássicos em detrimento, algumas vezes, dos contemporâneos. Hoje, não tenho dúvidas que, se ao menos no colégio, nossos alunos não tiverem contato com esses textos, nunca mais o farão.

Mas tal convívio deve ser tratado de forma específica pelo professor: em nossas aulas de Círculo de Leitura do Colégio FAAP os clássicos são precedidos de um aquecimento, são compartilhados com os alunos; refletidos, de forma que as dificuldades inerentes ao vocabulário e ao estilo sejam superadas pelo prazer decorrente da qualidade do texto contextualizado e compreendido.

Por outro lado, em nosso cotidiano, na linha dos mestres acima citados, ter o hábito de um bom texto à mão, é uma forma de não perdermos a sensibilidade para a qualidade, de não nos embrutecermos no jargão empobrecedor, de mantermos a riqueza de uma língua que nos possibilita exteriorizar sentimentos e ideias na medida exata de nossas intenções e necessidades. Nada mais triste e deformante do que ser obrigado a ouvir pessoas destacadas martirizando o nosso idioma. Nada mais antipedagógico do que expoentes da nossa política sendo vítimas de escárnio público pelo seu grotesco linguajar quando deveriam ser paradigmas da boa comunicação.

Conclamo os pais a incentivarem seus filhos a lerem e, partindo de seus exemplos, contagiarem seus filhos para que eles consigam a qualidade de expressão que lhes permita viver como seres humanos plenos.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br