Autoridade, autoritarismo, impunidade: um caos valorativo

Colégio FAAP

19 Janeiro 2018 | 18h10

Por mais que sejamos leitores atentos de nossa realidade para que enquadremos nela a educação, a cada pequeno descuido ela se descola de nosso controle. Quando o processo educacional fica descontextualizado da realidade, estaremos produzindo alienados, seres humanos despreparados para sobreviveram num mundo desconhecido.

Mais e mais, algumas referências civilizatórias essenciais se confundem no caos de nossas manchetes: quando grande parte das instituições e de seus representantes perde sua credibilidade, quando a corrupção e a impunidade aparecem como uma pandemia que a tudo infecta, educar se torna um desafio que beira a insanidade.

Tais doenças sociais, para os jovens, têm metástases mais agudas quando a questão envolve as noções de autoridade, autoritarismo e hierarquia. Num piscar de olhos, nossos jovens correm o risco de colocarem, na vala comum do autoritarismo, tudo o que contrarie suas vontades. Recorrem a memórias ditatoriais que não viveram e que, de fato, em nenhuma medida, justificam a anulação dos princípios que regem a vida em sociedade e as inúmeras relações hierárquicas.

É quando atinge as famílias que a deterioração da autoridade provoca suas mais nefastas conseqüências. Na fase de socialização primária, quando é formado o caráter da criança, a dubiedade dos valores gera desvios que, dificilmente, a vida adulta conseguirá corrigir.

 Poucas coisas são mais desastrosas do que a insegurança paterna que, encontrando eco nos filhos lhes tira o chão. É comum sermos instados por famílias a definir para seus filhos limites que não conseguem determinar.

Poucos enganos são menos danosos do que o complexo de culpa das famílias pela ausência maior dos pais, que flexibiliza limites enquanto barganha inconsciente dessa omissão.

Fazer com que o educando entenda que a vida em sociedade depende de relações hierárquicas que, sobretudo nos estados democráticos, são imprescindíveis é prepará-los para a construção mesma da democracia.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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