A violência nas escolas: um mal evitável

Colégio FAAP

01 Setembro 2017 | 19h02

A imagem de uma professora sangrando nas redes sociais pela agressão de um aluno provocou uma maré de apocalípticos prognósticos.

Ante tudo o que a mídia divulga de explosões das mais insanas formas de violência, as escolas ainda podem, comparativamente, ser consideradas oásis de pacificação. Daí, talvez, a perplexidade quando fatos fogem desse clima desconectado do mundo exterior.

Evidentemente, os mais antigos, que sempre idealizam um passado que nunca existiu, dirão, “no meu tempo isso era inadmissível”. Ao historiador cabe a obrigação inelutável de contextualizar fatos no seu todo cultural e lembrar que sempre tivemos confrontos e atritos no espaço escolar como projeções sempre reduzidas da realidade exterior. Considerados os rígidos limites estreitos da antiga disciplina, a maior solidez dos valores morais, o distanciamento e o formalismo das relações entre professores, dirigentes e alunos, os desvios talvez fossem, comparativamente, quase tão graves quanto aos que hoje constatamos.

Por outro lado, não há comparação entre a população escolar de hoje e aquela diminuta elite que podia frequentar o ensino em todos os seus níveis o que, evidentemente, relativiza muito a amostragem.

Quando temos fatos discrepantes de agressividade dentro das escolas, seguramente, encontraremos a confluência de falhas no processo pedagógico. Em qualquer escola, minimamente organizada, desde o ingresso do aluno, indicadores de eventuais atitudes anormais, assim que detectados, serão cuidadas ou, no extremo, remeterão a tratamento especializado.

É estranhável que um jovem, com antecedentes de violência, não tivesse tratamento diferenciado. Foi, certamente, um descuido indesculpável a falta de preparo da professora e da direção na abordagem da indisciplina de um aluno que, por tudo o que foi noticiado, exigia atenção diferenciada.

Mesmo quando informações essenciais do perfil do aluno são subtraídas pela família, o fluxo de informações entre o corpo docente e o serviço de orientação educacional, em curto espaço de convivência se constata desvios de conduta. No ensino de massa onde o aluno é, tão somente, mais um, é que tais desvios são mais prováveis.

O ingrediente essencial para que uma instituição de ensino possa cumprir sua missão é a criação e manutenção de uma cultura de cordialidade que permite o florescer do processo de aprendizagem, a inexistência desse clima gera potenciais de tensão que, a qualquer momento, explodem em manifestações de violência, em maior ou menor intensidade na razão direta do rigor dos mecanismos de controle e da carência de vias de comunicação.

Sem a menor sombra de dúvidas, uma atmosfera cordial que perpasse todos os segmentos de uma escola, é o único antídoto que anula a violência em seu nascedouro pela criação de uma cultura cidadã.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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