A política refletindo a educação

Colégio FAAP

07 Agosto 2017 | 15h13

Quando somos sufocados por qualquer tipo de indignação, o recurso ao óbvio não será visto como incômodo. Assim, repetimos: todo projeto de desenvolvimento de uma nação começa e termina na educação!

Se ainda houver alguma dúvida quanto à afirmação acima, tal equívoco será mais uma comprovação da má formação do leitor.

Para evitar a discussão estéril do óbvio, prefiro relembrar algumas das nefastas consequências de uma política educacional indigente no que tange à formação de quadros políticos de liderança.

Comecemos por algo que nos agride de imediato: a pobreza do linguajar de nossos políticos.

Comecemos por aquela que é a mãe de qualquer fala, a da falta de repertório: qualquer discurso que seja proferido, a partir da carência de conhecimentos sobre o tema abordado, se torna uma arenga verborrágica, inócua e, o que o que é pior, comprometedora de qualquer conteúdo defendido.

Outra agressão que, de tão rotineira no trato com nossos políticos já foi, lamentável mente, incorporada à nossa cultura política, é o pauperismo gramatical e de estilo de nossas tristes lideranças. Isso é tão notório que, quando um político desenvolve um discurso com algum tratamento mais cuidadoso, é taxado de pernóstico pela mídia. No quesito “assassinos da Língua Portuguesa”,  temos uma verdadeira legião deles nos inúmeros cenáculos da política nacional onde tais massacres acabam por editar verdadeiras atrocidades gramaticais.

Poderíamos desfiar um interminável rosário das sequelas de uma má educação, mas prefiro encerrar com aquela que é a célula mater de uma infinidade das mais graves sequelas. A incapacidade nacional de educar para a cidadania. Se analisarmos as linhas mestras das escolas brasileiras, nos diversos níveis, veremos que a preocupação central é de caráter “conteudístico”. Quando sobrevive alguma preocupação com o social, ela é de caráter ecológico.

Há que se lembrar que cidadania é um traço de cultura a ser cuidadosamente construído, é uma postura que tem que permear a vida desde seu nascedouro e em todos os momentos:  e tudo o que se vê na política não é cidadania.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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