A nova e a velha escola: mudanças delicadas

Colégio FAAP

13 Outubro 2017 | 10h00

Cumprindo o prometido, venho completar as sugestões para eventuais mudanças de escola e, neste último conjunto, algumas reflexões sobre a conveniência de se permanecer na “velha escola”.

É muito comum que, ao final do ensino fundamental, os estudantes sejam acometidos pela síndrome do ensino médio,  provocada por uma série de fatores e potencializada pela adolescência.

O mais comum é o “desejo de mudança de ares”, a partir do argumento de que se precisa de um “colégio mais forte” para os vestibulares que começam a assombrar. Argumento a ser ponderado, mas não radicalizado, pois forte é o colégio que cria uma cultura propícia ao estudo sem neuroses, que dá conta de construir as bases do conhecimento científico, sem infelicitar alunos afogados em conteúdos.

Por outro lado, não deixa de ser benéfica uma mudança de escola nesse estágio da vida dos jovens, tendo em vista uma preparação para a universidade ou para o mercado de trabalho. Mas muitas são as escolas que têm alguma dificuldade nessa transição de  mentalidade, fase de se “desinfantilizar”, gradativa e cuidadosamente, posturas.


Como dito anteriormente, tão pernicioso quanto mudar por algum modismo consumista, é forçar o estudante a permanecer em sua velha escola quando algo o incomoda nela, ou o atrai fora.

Retornaremos, agora, aquele que, nestes tempos de vacas magras, tem sido um dos itens importantes na escolha da nova escola, os custos financeiros.

Não seria um professor de História e Política o melhor conselheiro neste campo, mas a experiência me permite algumas sugestões úteis.

Além dos custos óbvios como mensalidade, transportes, refeições, há que se considerar outros tantos que não aparecem de imediato, mas que acabam sendo obrigatórios e alteram em muito o cálculo inicial: festas, eventos e passeios que, ao não aderir, representa segregar o estudante. Outros valores são omitidos na matrícula, tais como aulas de reforço pela incapacidade de adaptação ao novo ritmo de estudo; projetos paralelos oferecidos pela escola e que acabam atraindo o educando. Tudo deve ser rastreado, computado e transformado no custo  final da mudança.

Por fim e não menos importante, um fator que pode anular parte dos que já mencionamos como necessários para que a nova escola possa ser um passo de crescimento para os nossos estudantes: as práticas desenvolvidas pela escola para a acolhida e socialização dos novos alunos.

Em qualquer fase da vida escolar, sobretudo nas iniciais, a chegada a um universo desconhecido merece uma atenção muito cuidadosa, exige a existência de mecanismos cuidadosamente pensados de recepção e de criação e uma atmosfera de cordialidade efetiva e constante.

Quando o “calouro” não se sente acolhido, tudo o que a escola possa oferecer de melhor se transforma em pesadelo que, seguramente, levará a outra transferência e a marcas de difícil remoção na memória escolar.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br