A ignorância pelo excesso de informações e o “universo das atualidades”

A ignorância pelo excesso de informações e o “universo das atualidades”

Colégio FAAP

17 Novembro 2017 | 16h52

Muitos são os pensadores desta nossa Era da Informação que apontam para a grande falácia da ignorância pelo excesso de informações: dentre eles, lembramos Edgar Morin quando insiste no que chama de informação pertinente, conceito ao qual voltaremos mais adiante.

O que nos leva a estas sucintas, mas necessárias observações é o considerável crescimento de questões que abordam temas de atualidades nos vestibulares e outras grandes provas e que envolvem aspectos importantes do processo educacional.

O que preocupa é que a atualidade seja mostrada na medida ética, isenta de viés ideológico ( o que não significa indefinição de posições do professor ), mas que afaste abordagens apologéticas o que, muitas vezes, compromete o bom tratamento pedagógico ao anular o debate reflexivo que acaba sufocado pelo autoritarismo docente ao definir posições.

Um outro obstáculo menos frequente, mas igualmente limitador no trato de conteúdos de atualidades em aula, é um certo comodismo docente que refreia a busca pelo novo e pela saída da segurança e da qualidade das “aulas preparadas”: esquece o professor, nestes casos, o quanto de riqueza a relação com o mundo real traz a qualquer conteúdo.

Por outro lado, há que se lembrar de que níveis maiores de atualidades nas provas não deixa de ser, de algum modo, elitizante, levando em conta o universo cultural de faixas sociais díspares: para os estudantes dos estratos inferiores da sociedade tudo o que gravita seu cotidiano, seguramente, fica restrito a horizontes estreitos, limitando suas condições de competição.

Não pode pairar sombra de dúvida quanto à necessidade da educação ser, essencialmente, filha de seu tempo e ter seus olhos fincados no futuro, ou seja, o combate à alienação como meta prioritária.

Ter, constantemente, a realidade como tema de nossas aulas, não é deixar de cumprir programas, é tornar nossos alunos cidadãos de sua própria história, é fazer com que as informações ganhem pertinência, se transformem em conhecimento e é disso que trata Morin, ou seja, que passem a fazer parte do universo do educando e não volumes indigeríveis de informações sem nenhum vínculo com suas vidas.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br