A “desescolarização”: um movimento que obriga a reflexões

Colégio FAAP

21 Fevereiro 2017 | 16h14

Algumas matérias jornalísticas têm abordado uma tendência na qual as famílias educam seus filhos fora de escolas e, sobretudo, longe de esquemas curriculares tradicionais. Seriam ações libertárias visando criar crianças mais perto das famílias, longe de esquemas massificantes, protegidas de possibilidades de bullying, enfim, buscando uma educação mais singular e humanizada.

À parte considerações de legalidade, tais iniciativas nos trazem algumas reflexões sobre como escolher a escola ideal e o próprio projeto de vida que, a partir de tal decisão, pensamos para os nossos filhos.

Ante os inimagináveis desafios que o futuro reserva às novas gerações, pensar num caminho ideal é, talvez, o pesadelo das famílias responsáveis. A tentação de ousar pensando num caminho alternativo que contemple a felicidade, que reumanize e individualize a educação, é sonho antigo e recorrente. Tentar fugir da padronização e correr o risco de produzir gênios ou párias é, talvez, o maior dilema do educador consciente, uma vez que esse risco de resultados opostos existe.

O que a preocupação paterna, muitas vezes, esquece ou minimiza, é uma questão precedente e essencial: o direito dos pais, ao pensar na formação de seus filhos, definir, desde cedo, um caminho descontextualizado da realidade, uma “opção diferente”.

Quando são definidas as linhas mestras de um projeto pedagógico nacional, mesmo que de forma canhestra, busca-se avaliar as grandes tendências do mercado e atendê-las em termos de preparação dos educandos para ele. Num outro sentido, desviar o educando daquela que é a tendência predominante será diminuir suas possibilidades de concorrência, ou apostar num projeto de sucesso pela exceção. Há que se ter, de fato, uma inspiração profética para, ao arrepio das forças históricas, se lograr um caminho alternativo de sucesso pessoal.

O ponto central desta discussão sempre será o do direito dos pais de definirem o futuro de seus filhos, por mais que boas intenções guiem tais decisões.

Definir é, essencialmente, diminuir, restringir, preterir em favor de algo. Pode o educador restringir as escolhas do educando? Podemos projetar em nossos filhos nossos sonhos, por mais lindos que sejam?

Ou será que nos cabe abrir o maior número possível de portas para que escolhas voluntárias e conscientes evitem vidas desperdiçadas?

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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