Bullying  – mais perto do que imaginamos!

Bullying – mais perto do que imaginamos!

Carina Gonçalves

17 Setembro 2015 | 16h12


“Brincadeira” que não promove alegria para todos não é brincadeira

 

 Por Carina Gonçalves – 17 de setembro de 2015

 


Abuso de confiança, apelidos desagradáveis, menções depreciativas e toda e qualquer situação que pode ser caracterizada por agressões intencionais, verbais ou físicas, realizadas repetidamente por uma ou mais pessoas, contra um ou grupo de colegas, dentro e fora da sala de aula, pode sim ser considerado como bullying. Esse termo, de origem inglesa “bully”, que significa valentão ou brigão, está longe de ser legal ou apreciado por todos. Sabemos que isso acontece desde que o mundo é mundo. Porém, nas últimas décadas o tema bullying tomou um posicionamento importante na sociedade e nos principais órgãos e instituições de ensino como fonte para debates instrutivos e conceituais, com o objetivo de encontrar soluções aplicáveis para a diminuição de problemas decorrentes a esta prática dentro e fora do ambiente escolar. Com o uso da tecnologia, inclusive, muitos praticantes desta ação escondem-se atrás de nomes falsos (fakes) para promoverem discórdia, vergonha, rechaçamento e humilhação de seu alvo – criança, adolescente ou adulto.

 

Não importa como as ações são realizadas – pessoalmente ou por meio online –, o resultado sempre é devastador nos dois casos. As vítimas de bullying que passam por humilhações costumam se isolar,  apresentam queda no rendimento escolar e no trabalho, além de, também, poderem desenvolver doenças psicossomáticas e traumas para a sua personalidade. As consequências são sérias e preocupantes, pois há relatos de pessoas que cometem ações trágicas como suicídio para se verem livres de seus problemas.

 

No Colégio Branca Alves de Lima (BAL) falar sobre bullying não é nenhum tabu. “Conversamos com nossos alunos, de várias idades, ressaltando a importância das diferenças, do respeito para com o colega e da inclusão em todas as atividades, evitando qualquer possibilidade para o preconceito ou descriminação por qualquer que seja o motivo”, ressalta Vânia Lira, diretora.

vania

 

Discutir e esclarecer sobre o assunto pode ser um dos caminhos a seguir com o objetivo de promover a amizade nos grupos. Claro que a afinidade não se impõe, é algo que acontece naturalmente, mas o respeito deve ser mantido em qualquer circunstância; é o que afirma a professora Conceição Fidêncio – psicopedagoga e coordenadora pedagógica do ensino fundamental II do Colégio BAL.

Conceição

 

“Temos, também, crianças de 12 a 14 anos interagindo e amadurecendo juntas, no qual muitas delas buscam diferentes maneiras de se expressar. Fazer brincadeiras que incomodam os colegas não é legal e não aprovamos. Para evitar isso, recorremos a exemplos do dia a dia, assim como somos resistentes ao uso de palavras com significados impactantes e vinculados à violência, maus tratos e agressão verbal ou física, que resultam em problemas psicológicos”, ressalta a professora Conceição.

 

 

Mas, afinal, o que é bullying e como é praticado?

 

Denomina-se como bullying toda “brincadeira” imprópria que usa como recurso a exposição de uma característica física, emocional ou pessoal de alguém, amigo ou não. Por exemplo, chamar uma pessoa de “quatro olhos” pelo fato dela usar óculos ou promover descriminação racial pela diferença da cor de pele, que além de crime é, também, um dos exemplos mais frequentes.  Subjugar, ignorar e desprezar alguém, um grupo ou escolhas pessoais como religião, roupa e alimentos também é uma maneira de cometer bullying. Sua prática acontece dentro das escolas, nas salas de aulas, nos grupos de “amigos”, dentro do ambiente familiar e também no trabalho (podendo configurar assédio moral).

 

Projeto BAL de Incentivo ao Fim do Bullying – dentro e fora da escola

 

Dizemos Não para BULLYING

Para minimizar e evitar a prática do bullying no Colégio BAL, assim como o desenrolar de problemas sérios, convidamos nossos alunos, a cada bimestre, a refletirem sobre o tema e ouvirem experiências de seus colegas e de pessoas conhecidas. Após, eles elaboram definições, conceitos e expressam suas opiniões em grupo com o objetivo de buscarem possíveis soluções para a harmonização social no ambiente escolar e fora dele.

 

Os pais também são convidados constantemente (recados na agenda, ações nas redes sociais, e-mails e comunicados temáticos) para participarem da vida escolar de seus filhos e orientá-los sobre o bullying, que pode acontecer dentro de casa e pelos meios de comunicação online. “Buscamos manter um elo entre a escola e o lar de nossos alunos, envolvendo todos os responsáveis para juntos caminharmos em prol do bem estar físico, psicológico e emocional de todos”, comenta Vânia Lira, diretora do Colégio BAL.

 

 

Debates sobre o tema com alunos:

 

Pensando neste tema tão importante e atual, nesta semana (entre 14 e 17 de setembro), as turmas do Fundamental II, alunos com idades entre 12 e 13 anos, participaram de um debate temático com mediação de nossa coordenadora pedagógica e, também professora Conceição Fidêncio, no qual puderam expor experiências e opiniões sobre bullying. Como resultado, muitos disseram que já foram vítimas e outros surpreenderam pela coragem de admitir que já foram protagonistas de ações contra colegas e familiares.

 

 

Alunos3

 

Acompanhe os relatos abaixo:

 

Bullying não é uma coisa legal, eu já sofri muito bullying quando era “gordinho” e me sentia inútil. Viver  era ruim e eu me torturava. Queria dizer isso, bullying é horrível! Nunca pratiquei porque sei que não é uma coisa boa, magoa muito.” – Rafael – 7º Ano.

 

Bullying é falta de respeito, falta de educação, precisamos lembrar que todos somos iguais.” – Alexandre – 8º Ano.

 

Bullying é você tirar “sarro” da diferença dos outros. As diferenças são boas, temos de ser o tipo de pessoa que gostaríamos de conhecer na vida e não praticar bullying.” – Joyce – 8º Ano.

 

“Eu não acho bullying legal e que as pessoas não devem fazer isso. É importante nos colocarmos no lugar do outro. Eu nunca sofri bullying e sei que não é legal. Procuro deixar meus amigos felizes. Quando alguém sofre bullying tento animar a pessoa e mostrar para ela que não devemos ligar para isso, que é uma bobagem.” – Daniella – 7º Ano.

 

Bullying é algo de gente má, de gente vazia por dentro, que não tem amor pelas outras pessoas e que não desejam fazer bem nenhum para os outros. Eu sou contra bullying e a favor da amizade e do respeito. Ame os outros como você ama a si mesmo.” – Nathália – 7º Ano.

 

“As pessoas se sentem muito mal. Bullying é uma coisa horrível. Penso que se não devemos fazer para o outro o que não queremos para nós.” – Gabriella – 7º Ano.

 

Bullying é uma coisa muito desagradável, é uma coisa inadmissível, porque todos merecem respeito. Não deveria existir! Afinal somos todos iguais.” – Vinicius – 7º Ano.

 

“Nunca sofri bullying, porém conheço pessoas que sofreram e, talvez, ainda sofram. Acho ridículo, pois, em minha opinião, quem pratica bullying com outra pessoa é porque sente medo que ela cresça em todos os sentidos e fique maior do que ela. Dou um recado para quem sofre bullying: trabalhe duro, estude, siga seus sonhos, vença!. Para você que pratica bullying saiba que isso não atinge apenas as pessoas ao seu redor, mas atinge você também, pense nisso!.” –  Carolina – 7º Ano.

 

Bullying é muito feio, pois quando você sofre com o bullying você não procura resolver problemas, mas sim esconder-se deles.” – Olivia – 7º Ano.

 

Bullying não é nada legal para quem sofre, eu graças a Deus nunca sofri pois sempre tive muita amizade com todos. Eu entendo como é, pois amigos meus já sofreram e eu espero que eu nunca passe por isso. Coisas ruins assim como o bullying não são mais aceitáveis no mundo de hoje.” – Giulliano – 7º Ano.

 

“Pra mim, é um ato desagradável que tenham brincadeiras ou chacotas feitas com pessoas que não gostam deste tipo de coisa. Eu já fiz e já sofri bullying. Quando eu fazia isso, realmente acreditava que estava certo. Mas quando comecei a sofrer bullying vi que na verdade isso não fazia bem a nenhum ser humano na face da terra.” – Lucas – 7º Ano.

 

Não para BULLYING

 

Depoimentos de familiares:

 

Também, conversamos com alguns pais sobre o bullying e ouvimos o seguinte:

 

“Sempre conversamos que todos nós temos características diferentes, seja a cor da pele, o tipo do cabelo ou até mesmo o modo de agir e que isso é muito natural. Logo não devemos “apelidar” os colegas pelas suas características físicas ou personalidade. Exemplo bom é lá em casa com as minhas duas filhas Piettra, que é Loira de cabelo liso, e a Lorena, que é mais morena com cabelos cacheados. São irmãs com características totalmente diferentes. Conversar sobre bullying é como um trabalho de formiguinha, pois todos os dias elas nos contam a sua rotina e sempre as orientamos como “devem” pensar e agir.”, fala Daiana Alves, mãe de alunas.

 

Daiane Alves

 

“Vivemos hoje em uma sociedade cada dia mais competitiva. Porém, isso não é motivo para justificar a falta de respeito e desigualdade entre as pessoas (o famoso bullying). Em casa conversamos sobre todos os assuntos e orientamos nossos filhos para serem com as pessoas como gostariam que os outros fossem para com eles. Em outras palavras, que tratem muito bem a todos, sem distinção.”, comenta Bruno Ramos, pai de aluno.

 

Bruno

 

“Como educadora e mãe de aluna, sempre procurei demonstrar para a minha filha e para os meus alunos a importância da amizade e do respeito mutuo. No mundo há pessoas diferentes e com talentos maravilhosos que completam um grupo. A individualização ou menosprezo (bullying) por alguém não deve acontecer em qualquer circunstância.”, ressalta Vanessa Campos, mãe de aluna e também professora do Colégio BAL.

 

Vanessa Campos

 

“Sempre eduquei meus filhos com a postura de respeitar as pessoas. Sejam mais velhas, de diferentes religiões ou pelas escolhas que eles poderiam não concordar. Hoje tenho netos e sigo no mesmo exemplo. Temos de ser tolerantes e procurar amenizar as dores do mundo. Precisamos de mais amor e carinho entre as pessoas, talvez assim a violência diminua.”, desabafa Suzette Sanches, avó de aluno.

 

Suzette

 

“Não é fácil educar um filho, ainda mais hoje, com tantas ferramentas que permitem liberdade de expressão e que podem fugir do controle dos pais. Orientamos e acompanhamos de perto nossa filha para que se mantenha feliz e promova isso aos demais ao seu redor. Bullying não é legal e conversamos muito sobre isso em casa também.”, finaliza Nilton de Assis, pai de aluna.

 

Nilton Assis

 

Conclusão de nossas atividades:

 

Percebemos que os alunos compreendem o que é o bullying, assim como os danos que ocasiona na vida das vítimas e seus familiares. Alguns conseguem perceber a intenção ou a prática do constrangimento alheio mesmo em “brincadeiras sem maldade”. Como resultado, refletem para não permitir que novas situações semelhantes aconteçam.

“Aqui, no Colégio BAL, verificamos que investir alguns minutos para falar sobre o assunto tem sido muito positivo para que os alunos se policiem e não “deslizem” em momento algum para que isso aconteça dentro e fora escola.”, ressalta Vânia Lira, diretora.

 

“Sabemos que o bullying pode ocorrer coletivamente, por isso é fundamental o bate papo em grupo. Da mesma forma que existem pessoas que repudiam este tipo de comportamento, também, há àquelas que concordam e apóiam sua prática. O mais importante é demonstrar que promover o sofrimento não é algo legal e muito menos aceitável. Buscamos, por meio de informações, minimizar qualquer possibilidade de ver um amigo no papel de vítima ou de algoz.”, finaliza a professora Conceição Fidêncio, também psicopedagoga e coordenadora pedagógica do ensino fundamental II do Colégio BAL.

 

Colégio BAL - BLog







 

 

 

Mais conteúdo sobre:

BULLYING