Mindfulness

Mindfulness

be.Living | Educação Bilíngue

03 Julho 2017 | 16h01

Daniela Degani, instrutora de meditação da be.Living, explica como a prática de Mindfulness tem sido adotada na escola e como ela é difundida na vida das crianças.

Como está sendo o trabalho de Mindfulness no Ensino Fundamental I – Unidade Moema?
Aqui na be.Living todos os professores e assistentes participaram do curso de formação em Mindfulness e estamos ensinando meditação aos alunos do Year 1 ao Year 5. Com a prática de Mindfulness, exercitamos a atenção, equilíbrio emocional e calma. Também trabalhamos as qualidades do coração, como cuidar a si mesmo e cuidar dos outros.
As qualidades de foco, equilíbrio emocional e compaixão, quando presentes nos professores e nos alunos, favorecem um ambiente muito propício ao aprendizado.

Como é o programa ensinado na be.Living?
Os encontros acontecem semanalmente, seguindo um programa de 16 semanas. Este programa é baseado na metodologia da Mindful Schools dos Estados Unidos, na qual sou treinada. Esta metodologia traz exercícios de atenção plena e um tema novo para cada encontro. Toda semana, portanto, realizamos as práticas e discutimos um novo aspecto de Mindfulness e como este pode ser relevante na vida dos alunos.
Praticamos, por exemplo, atenção plena aos sons com a ajuda de diferentes sinos, atenção plena à respiração e ao corpo com a ajuda de borboletinhas imaginárias que vão pousando em nosso corpo, praticamos visão atenta, atenção aos pensamentos e às emoções, – sempre com atividades simples, apropriadas a cada idade e que despertem o interesse da criança. Desta forma, toda semana há um tema diferente para que eles relacionem com suas vidas e percebam como podem aplicar este exercício em seu cotidiano.

Como são os encontros semanais?
No início de cada aula, pergunto aos alunos “alguém usou Mindfulness na semana passada? Quando e como foi?” e muitas crianças trazem relatos do tipo “fiquei muito bravo, percebi e me acalmei, pensei antes de agir”. Ou seja, eles conseguem relacionar a prática com emoções cotidianas, nas relações com amigos e familiares e até mesmo situações escolares, como de prova, em que contam que meditam e se acalmam antes de fazer a avaliação. Nada é melhor do que eles mesmos nos contando como foi, como estão desenvolvendo a prática de Mindfulness.
Sempre conversamos sobre o que estamos fazendo e porquê o estamos fazendo. Depois praticamos, cada encontro um tema novo para eles, como a atenção plena aos sons, à respiração, atenção aos pensamentos, às emoções. As crianças recebem instruções de como praticar sozinhas também, em casa, na escola, e nas diversas situações do dia a dia.

Como aproximar a prática de meditação da realidade das crianças?
As práticas de meditação para crianças têm que ser breves, simples e lúdicas. Usamos brincadeiras e jogos durante as práticas e analogias para explicar o funcionamento da mente. Explico, por exemplo, que a nossa mente é como um barquinho, que se deixado solto no mar pode ser levado pelas ondas dos pensamentos e emoções, nossa mente pode ir aonde não queremos ir, e nos momentos em que não queremos nos distrair. Ao parar e prestar atenção à respiração é como “jogar a âncora” do barquinho, nos mantemos no momento presente, sem que nossa mente seja levada pelas ondas.

Nas práticas de atenção plena com as crianças elegemos um foco e caso nossa mente se distraia, notamos a distração e trazemos a atenção de volta ao objeto escolhido. Assim, os estudantes que praticam meditação têm uma melhoria na capacidade de sustentar a atenção: são capazes de notar mais rapidamente quando a mente se distrai e conseguem, se assim desejarem, voltar a prestar atenção com mais facilidade. Essa habilidade pode ser muito útil no ambiente escolar.

Além da atenção, a meditação ajuda também no equilíbrio emocional. No primeiro dia brinco sempre com uma ocasião no final da Copa América, em que o Messi chutou um pênalti para fora. “Como o melhor jogador perde um pênalti?”, pergunto às crianças, “acho que ele estava nervoso”, “estava se achando” ou “com medo de errar”, elas respondem. Através desse exemplo, os alunos conseguem lembrar de ocasiões em que também se sentiram nervosos: antes de uma apresentação, num esporte ou numa prova. Explico que a meditação pode ajudar a gente a se acalmar e que isso pode ser muito útil em todas essas ocasiões.
Por fim, ao estar mais atento com que acontece comigo e com os outros, as crianças desenvolvem compaixão e demonstram mais atitudes positivas.