“Ser ou não ser: eis a questão”

“Ser ou não ser: eis a questão”

Colégio Bandeirantes

30 Setembro 2015 | 15h08

“Ser ou não ser: eis a questão”
“Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. Isso significa envolvimento em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo.”
(Viola Spolin – Improvisação para o teatro)

O curso livre de teatro do Colégio Bandeirantes arrebanha, todo ano, um número grande de adolescentes, algumas vezes, seduzidos pelo glamour da atividade artística, pelo encantamento da visibilidade garantida pelos diversos meios de comunicação. Há vinte anos, entretanto, o curso procura mostrar a todos que o trabalho teatral é resultado de um fazer que implica trabalho, participação e respeito pelo outro e pelo grupo, além do comprometimento.

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Dito dessa forma, talvez se pensasse em um trabalho difícil, pesado, com amarras que limitam o agir e o pensar. Diferentemente disso, as atividades desenvolvidas em classe são marcadas pelo jogo lúdico, do qual fazem parte o diálogo, a brincadeira, a reflexão, a liberdade de expressão, o riso. Por meio dele, aos poucos, ganha-se consciência vocal, corporal, rítmica. Ganha-se mais: a consciência das próprias limitações e o respeito às limitações do outro.

Encantar-se com esse “conteúdo programático” para muitos é fácil, em primeiro lugar porque se difere, na própria essência, daquilo que é o dia a dia da sala de aula, quando a matéria X ou Y coloca-se em primeiro plano e o indivíduo se subtrai.

No teatro, ganha força o indivíduo. A cada momento, todos são cobrados para serem e estarem presentes, participando, colaborando, discordando, ouvindo… Sim, mas também não se trata de um trabalho de terapia em grupo.

Nenhum dos alunos envolvidos no curso terá sua vida devassada: o trabalho teatral está voltado para o pensar no ser humano. E, por meio desse pensar, enxergar-se e, desse modo, também modificar-se. É assim que, vendo-se como indivíduo e cidadão, como elemento de uma equipe, o trabalho se erguerá. Não há, no trabalho teatral, a disputa que implica competição. Nele, o que importa é o estar presente, ser, e fazer com que, de modo interdependente, nasça um espetáculo.

Contrariamente aos valores de uma sociedade em que se deseja o destaque que garanta a notoriedade, o teatro, na educação, traz à tona a sociedade de que cada um faz parte e que pode ser modifica com o agir responsável e colaborativo.

A energia de cada um não existe para mostrar-se, ela está a serviço de um objetivo comum. Ela existe e é estimulada para estar a serviço da interação, responsável pela construção do todo que se inicia na primeira ideia, na escolha do texto, dos atores, na produção de uma camiseta, na venda dos ingressos até chegar ao aplauso final. E esse, se existe, resulta do envolvimento nas aulas, da disponibilidade para mostrar-se como um personagem, da predisposição para contribuir colocando corpo, voz e talentos individuais no caminho que garante a construção de um momento que existe de modo único: aquele em que plateia, atores, texto e recursos cênicos se imbricam para edificar um espetáculo.

Neste ano, os alunos de 1ªs e 2ªs séries do Ensino Médio do Colégio Bandeirantes estão produzindo: A filha de Maria Angu, de Arthur Azevedo, e A revolução dos beatos, de Dias Gomes, que serão encenados no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis.

Departamento Cultural
Professor de Teatro Fernando Borges