Aprendizagem em Rede

Aprendizagem em Rede

Colégio Bandeirantes

04 Outubro 2017 | 14h06

Por Emerson Bento Pereira

Como sabemos, a tecnologia costuma avançar em momentos de guerra. Foi durante a guerra fria, no início dos anos 60, que o governo americano se deparou com uma questão importante: como manter a rede de comunicação de maneira segura a ponto de um ataque militar provocar a menor perda de informações possível.

Essa tarefa ficou à cargo da equipe liderada por Paul Baran. Nascido em Hrodna, na época pertencente a Polônia, ainda criança mudou-se para os EUA. Foi com esse convite que o Mestre em Engenharia pela Universidade da Califórnia iniciou os estudos que mudariam completamente os rumos da humanidade.

Com a demanda clara de desenvolver um sistema de comunicação que garantisse que o menor número de informações fosse perdida no caso de um ataque inimigo, Baran e sua equipe desenvolveram o diagrama abaixo e mostraram que há apenas três formas de estrutura de rede: a centralizada, a descentralizada e a distribuída.

Note na figura que, apesar de as três imagens de rede serem completamente diferentes, as posições dos pontos são as mesmas em cada uma delas. No entanto, a – forma como conectamos os pontos muda a topologia da rede.

Vejamos como fica a questão dada para cada uma das topologias de rede:

Na Rede Centralizada, com um único centro, se qualquer ponto for atacado apenas esse ponto será desligado, com exceção do ponto central. Porém, se o ponto central for atacado todas as conexões se perdem. Seria um risco altíssimo adotá-la.

Na Rede Descentralizada, com vários centros, se o ponto atingido tivesse uma única conexão, somente esse ponto seria atingido num ataque. Porém, vários pontos seriam pontos centrais, que, ao serem atingidos,  desconectariam vários outros pontos. O risco é menor, mas ainda alto.

Na Rede Distribuída, em que todos os pontos estão ligados a todos os pontos, se qualquer ponto for atingido, nenhum outro ponto será desconectado da rede. Essa topologia foi sugerida como a ideal para o desafio proposto.

Ali nascia a topologia da internet.

Quando olhamos para a natureza, encontramos mais exemplos de rede distribuída, enquanto que, ao olhar para as instituições criadas pelo homem, vemos que elas obedecem à topologia descentralizada, hierárquica. Estado, Igreja, Empresas, Famílias, Ongs e Escolas seguem o modelo descentralizado.

Nas unidades escolares, o Diretor Geral tem seus diretores de especialidades que, por sua vez, têm seus coordenadores, que têm os professores, que têm seus alunos. Os alunos participam pouco do processo formal de aprendizagem de outros alunos. Aprendem, via de regra, obedecendo à estrutura hierárquica proposta pelas escolas.

O que mudou? Mudou que a mutação sofrida pelos computadores fez com que eles deixassem de apenas processar dados para, principalmente, conectar pessoas. A partir do momento em que os smartphones foram para as mãos das pessoas, a topologia distribuída invadiu, sem pedir licença, os ambientes familiares, de trabalho e as salas de aula. Temos hoje estruturas de gestão no modelo descentralizado, e as pessoas conectadas no modelo distribuído. As duas acontecendo ao mesmo tempo, de forma híbrida.

É esse momento híbrido que nos faz sentir que tudo está mudando rapidamente. Novas empresas com cultura digital vão surgindo. Empresas tradicionais, que sempre conseguiram se reinventar, já perceberam que a mudança agora é mais rápida, e estão correndo para ter seu lugar ao sol nos próximos anos. As empresas rígidas quebrarão. O que pouco é dito é que a principal mudança está na topologia social, e não nas máquinas. A nova forma como nos relacionamos, com e/ou sem as máquinas, é que está revolucionando quase tudo. As máquinas são só canais para que a vida humana aflore.

Emerson Bento Pereira
Diretor de Tecnologia Educacional
Colégio Bandeirantes