Os grupos interidades na Educação Infantil do Colégio Anglo 21

Os grupos interidades na Educação Infantil do Colégio Anglo 21

Colégio Anglo 21

10 Fevereiro 2017 | 11h49

*Por Cintia Fondora Simão

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O ano letivo na Educação Infantil do Colégio Anglo 21 começou com uma proposta de agrupamento de crianças baseado em potencial de desenvolvimento, revisando a tradição escolar de reuni-las em grupos etários. A turma de ingresso na escola está aqui organizado de modo multietário, traduzindo nossa convicção de que o potencial de construção e de expressão infantil transcende os limites da idade cronológica estabelecidos nos manuais. É isso, não existe manual de instrução para gente!

Educadores que somos, fazemos escolhas. Em nosso colégio, vamos deixando de falar em faixa etária para falar em períodos de vida, ampliando a ideia de grupo etário com a de grupo de encontros em torno de experiências de aprendizagem, de vivências de desenvolvimento. Chamamos esses grupos de “interidades”.

O que nos marca, o que nos forma, o que nos constitui são os encontros que vivemos e que independem da idade que temos. Assim é também com a criança em sua pouca idade.

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Cito Caterina Lloret, em seu texto “As outras idades e as idades do outro”, tomada como inspiração e referência em estudos sobre propostas de escolarização que não têm a idade das crianças como princípio de organização:

Quando pequenos, foi-nos ensinado que devíamos comemorar o aniversário. Uma vez comemorado, tínhamos tal ou tal idade, da mesma maneira que se têm dedos na mão. Os anos pareciam ser nossos, só nossos, e era de se esperar que os anos futuros também o fossem. (…) Podemos continuar considerando que os anos são nossos e, portanto, pessoais e intransferíveis, mas deparamo-nos com um indicador que nos mostra que são eles, os anos, que nos possuem. Mais do que ter uma idade, pertencemos a uma idade. Os anos nos têm e nos fazem; fazem com que sejamos crianças, jovens, adultos ou velhos…

O Colégio Anglo 21 é uma escola para crianças, uma escola das crianças e de suas múltiplas expressões; uma escola, em suma, de produção de culturas da infância. As relações das crianças entre elas mesmas, com seus educadores e com o mundo ao redor são permeadas pelos significados produzidos coletivamente, no encontro entre os diferentes.

Vir para a escola da infância é entrar num contexto educativo dinâmico, de ineditismo, surpresas e imprevisibilidades, sobretudo nas interações pessoais, necessárias para a descontinuidade da experiência habitual e bem conhecida do contexto familiar. O que não quer dizer que não haja na escola uma rotina diária estável, compatível com a imprevisibilidade do contexto público em que recebemos as crianças. Rotina é importante para que as crianças tenham uma postura mais independente.

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A ideia da heterogeneidade também fundamenta o fato de não atribuirmos unicamente ao adulto a função mediadora na aprendizagem. Em nosso projeto educativo, destacamos o papel mediador das crianças, garantindo-lhes o protagonismo na trilha de suas aprendizagens.

Crianças maiores aprendem junto das menores quando se envolvem nas mesmas experiências, e assim podem apresentar aspectos cognitivos mais complexos na construção dos significados individuais e partilhados e quanto à referência que podem ser umas para as outras.

Ao mesmo tempo que apostamos nos encontros diversos, na construção do coletivo e do senso cooperativo, trabalhamos com escuta atenta para as subjetividades; um grupo escolar é constituído de crianças com seus infinitos particulares, e para cada um deles desdobramos nossas atenções, convidando, ainda, as crianças a receberem esses infinitos que cada colega representa. A vivência verdadeiramente cooperativa é valor essencial para alcançarmos um mundo mais acolhedor.

Cintia Fondora Simão é Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil do Colégio Anglo 21.