Aprender a estudar é um conteúdo que precisa ser ensinado

Aprender a estudar é um conteúdo que precisa ser ensinado

Colégio Anglo 21

20 Julho 2017 | 11h43

*Por Ana Noronha

O que se deve ensinar na escola?  É uma pergunta que perpassa nossa sociedade e diz respeito especialmente a nós, professores, que buscamos preparar nossos alunos para serem plenos e realizados, para serem o que eles quiserem ser, com ética, felicidade, sentido de pertencimento, contribuindo para a construção de um mundo melhor.

A educação tem a responsabilidade de transmitir a cultura de uma sociedade a seus novos membros, para sua continuidade e, ao mesmo tempo, prepará-los para o porvir, que desconhecemos. Esse processo de transmissão de cultura está longe de ser um processo passivo. Trata-se, antes, de um processo de ressignificação da cultura frente às novas necessidades que cada geração experimenta.  E, nesse processo, a escola desempenha um papel crucial. [1].

Na escola, conhecimentos já produzidos são apresentados aos alunos. Mas e a enorme porção do mundo que desconhecemos? Ou, ainda, a porção de conhecimentos que a sociedade está construindo neste momento, ou virá construir?  Como preparar os alunos de hoje para enfrentar aquilo que conhecemos, em maior ou menor grau, e aquilo que nem sabemos que está por vir?

Nos adultos não fomos preparados para lidar e compreender toda a tecnologia disponível hoje. Não havia como nossa escola se antecipar em relação aos computadores pessoais e nos ensinar a mexer com eles, ou a preparar as crianças para serem web designers, analistas de mídias sociais ou de sistemas, profissões que não existiam naquele tempo. Não tem mais volta: a tecnologia entrou nas nossas vidas e chegou para ficar e a escola precisa não só considerar, mas fazer uso dela. Na escola de hoje já não basta ao professor somente o domínio da matéria que leciona, do conteúdo, é preciso que trace os objetivos da turma, compreenda a fundo o perfil de cada aluno e ofereça oportunidades e modos diferentes para que se aprenda o conteúdo – o ensino personalizado.

Durante muitos anos, a escola foi um lugar de carteiras ordenadas em filas e de matérias. Os professores trabalhavam de forma independente em cada área e seus monólogos eram os protagonistas. Em ocasiões levava-se tempo para o diálogo entre os alunos, mas falar ia contra a aprendizagem. Os exames finais eram o único método de avaliação, e as avaliações do quociente intelectual, o meio mais eficaz para organizar grupos. O caderno, o livro e a caneta eram as ferramentas fundamentais de estudo e, principalmente, o silêncio era o indicador de sucesso por excelência. Esse é um modelo válido para outro momento, não se mostra mais um modelo de escola válido para esses alunos, para este tempo.

[1] As ideias deste parágrafo apoiam-se no primeiro capítulo do livro A Pedagogia (dirigido por Clermont Gauthier e Maurice Tardif, publicado no Brasil pela editora Vozes em 2014).