O avanço do ensino ministrado em inglês no Brasil

Nathalia

24 Janeiro 2018 | 11h19

Ter um curso internacional no currículo é desejo de grande parte dos jovens atualmente. A opção é bastante atraente por uma série de fatores que geralmente estão relacionados a uma carreira promissora no mercado de trabalho, como a vivência internacional, a possibilidade do contato com professores que são referência em suas áreas de atuação e também a experiência de conhecer o que outros países fazem e como conduzem determinados assuntos por meio do olhar dos colegas de classe.

Em função disso, parte dos alunos que conclui o Ensino Médio busca maneiras de sair do país para acrescentar uma graduação ou uma especialização internacional entre os seus feitos. Entretanto, o dólar alto, a crise econômica e até as exigências acadêmicas de proficiência em inglês são barreiras que, por vezes, pesam na concretização do plano. Apesar de existir uma série de facilitadores, como os programas de bolsas, nem sempre todos são contemplados e isso não significa que o sonho deva ser interrompido.

Isso porque, quem não quiser deixar de apostar na experiência de um ensino ministrado em inglês já pode fazê-lo sem sair do país. Assim como aconteceu com as escolas europeias e norte-americanas, que elegeram o inglês como o idioma oficial dos seus programas de educação para integrar pessoas de diferentes nacionalidades, uma parcela das universidades brasileiras já despertou para o Ensino Superior Internacionalizado e isso vem avançando cada vez mais no país.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Educação Internacional (Brazilian Association for International Education – Faubai) em 2016 indicou que existem 671 cursos com aulas ministradas em inglês em instituições de ensino superior no Brasil. É o caso de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Fundação Instituto de Administração (FIA), por exemplo. Elas contam com professores e alunos estrangeiros e adotam a língua inglesa como a oficial em todas as atividades e todo esse conjunto propicia a interação e a troca cultural, além do aprendizado teórico e prático da disciplina.

Essa é uma forma de tornar o processo mais acessível e ainda sim investir em um formato que estimula a fluência e o raciocínio no idioma, o que contribui em atividades futuras que envolvam interação global, por exemplo. O domínio da língua é verificado durante a seleção inicial e o aperfeiçoamento é estimulado pelo contato com os professores e com os colegas de outras partes do mundo que completam a turma.

Ou seja, para garantir que tudo será vivenciado em sua totalidade, o domínio da língua em níveis de independência é requisito básico e é verificado durante a seleção inicial.

Uma das ferramentas usadas para esse monitoramento é o Linguaskill, desenvolvido por Cambridge Assessment English e já disponível no Brasil e adotado em países como México, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, Omã, Suíça, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e também pela rede global de ensino superior Laureate. Trata-se de um teste de língua inglesa on-line multinível, que avalia candidatos de todos os níveis, desde o A1 até o mais elevado do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR), referência internacional que descreve de forma objetiva as habilidades em um idioma.

A partir dele, um relatório de performance individual e coletivo é traçado. Ou seja, ele complementa o vestibular confirmando se os alunos atendem os requisitos mínimos para acompanhar as aulas e desenvolver as atividades.Outra forma de uso é aplicá-lo ao final do programa, para monitorar o progresso dos estudantes e proceder com a aprovação e com a conclusão do curso.

Apesar de esse resultado não ser válido enquanto certificação internacional para admissão no exterior, há ao menos dois benefícios para quem passa pelo teste: o primeiro é que ele funciona como um preparo para os exames de proficiência aceitos, como o B2 First, o C1 Advanced e o C2 Proficiency, por exemplo. O segundo é que essa é também uma possibilidade de sair para o mercado de trabalho já com comprovação internacional do nível de inglês para se destacar nos processos seletivos de emprego.