Avanços do século XXI: é preciso repensar o papel dos professores diante das novas tecnologias

Nathalia

11 Agosto 2017 | 17h40

Hoje já é natural vermos as crianças, mesmo as menores, extremamente familiarizadas com a tecnologia, principalmente a mobile. Elas buscam seus próprios conteúdos online e os celulares e tablets são inseparáveis em todos os momentos do cotidiano.

Quando falamos sobre educação, elas utilizam essas ferramentas com a mesma naturalidade que as gerações anteriores usaram livros para realizar atividades de aprendizado e acessar informações. Há indícios claros de que esses nativos digitais agora estão transferindo suas práticas para a educação formal e têm expectativas sobre como a aprendizagem será conduzida com base em suas experiências digitais fora da escola.

O surgimento de tecnologias digitais voltadas para a área educacional e também a rápida democratização de aplicações e plataformas específicas gerou um movimento de revolução chamado de EdTech, que contempla softwares, simuladores, games e realidade virtual, por exemplo.

Outro ponto é que existe uma tendência atual no ensino e na aprendizagem que é o desenvolvimento do letramento digital dentro dos programas educacionais convencionais, para que os alunos adquiram as capacidades que precisarão para ter sucesso em um mundo cada vez mais digital.


A tecnologia digital oferece oportunidades transformadoras que não estavam disponíveis para nós no passado. Ela estende o aprendizado para além da sala de aula física e permite novas formas de interação e aquisição de conhecimento. De forma prática, é possível trabalhar, entre outros, aspectos como a autonomia do aluno no processo do aprendizado por meio da aproximação do processo ao seu cotidiano e às suas necessidades específicas.

Por exemplo, ao perceber melhor o desempenho dos alunos e suas dificuldades individuais, o professor pode fazer a indicação de apps e plataformas gratuitas focadas em desenvolver uma habilidade em específico para promover a melhora de cada aluno dentro das suas características pessoais. Ou, para o ensino de idiomas que por vezes encontra a limitação de que não há contato dos alunos com pessoas nativas para desenvolver aspectos como a fala, por exemplo, é possível usar a realidade virtual para inseri-los de maneira digital em situações cotidianas em que a língua precisa ser praticada em um cenário de similaridade ao real.

Entretanto, essa situação requer adaptação, apoio e treinamento. Para que a aplicação seja bem sucedida, um fator primordial é o preparo e o desenvolvimento do professor, que é a base do conhecimento, o fator de maior influência no aprendizado, em qualquer lugar do mundo, independentemente do método de ensino ou da idade do aluno. De acordo com uma pesquisa conduzida na Austrália, crianças que aprendem com professores bem preparados aprendem o equivalente a um ano e meio a mais de estudo em comparação com as que possuem aulas com professores medianos.

Ou seja, de forma prática, de que adianta investir em lousas interativas, tablets e sistemas de tecnologia se o professor não tiver fluência nas ferramentas digitais para desenvolver atividades e aplicar os recursos em atividades eficientes?

É preciso focar em trabalhar as competências digitais dos profissionais que conduzirão o processo do aprendizado em sala de aula. Sua atuação precisa se adequar a um perfil mais tecnológico que permeia a carreira em todos os aspectos, desde o contexto macro do mundo conectado, até a sala de aula, o design da aprendizagem, a entrega do conhecimento e a avaliação do processo.

Grande parte dos docentes já despertou para a necessidade de dominar mais profundamente a tecnologia e seus recursos, mas, por vezes sem apoio e capacitação, não sabem bem até onde podem ir com isso ou qual melhor caminho a ser seguido. Nesse sentido, a indicação é iniciar o processo a partir de uma autoavaliação que vai refletir o ponto inicial dessa jornada para então buscar a trajetória desejada para alcançar um objetivo.

Para facilitar a tarefa, Cambridge English desenvolveu um portal gratuito chamado The Digital Teacher (https://thedigitalteacher.com/), que convida profissionais de qualquer disciplina, não apenas o inglês, a se conhecer levando em consideração a familiaridade com as tecnologias que surgem no ambiente da educação.

Por meio de um teste objetivo, é gerado um resultado baseado em um Digital Framework que identifica o nível pessoal de habilidades (que vai do consciente ao expert em quatro variações) em seis competências-chave (mundo digital, sala de aula digital, professor digital, design da aprendizagem, entrega da aprendizagem e avaliação da aprendizagem), que abordam desde produtividade, aspectos legais e gerenciamento das informações, passando por metodologia, aperfeiçoamento do idioma e adoção de recursos, até colaboração, curadoria, plano de aula, integração entre canais de ensino e avaliação.

A partir desse panorama a tarefa de buscar caminhos para o desenvolvimento profissional, como leituras, webinars, MOOCs, cursos online, eventos e compartilhamento de exercícios e modelos de tarefas torna-se menos árdua e solitária.

A plataforma opera em versão beta e a proposta é que ela seja cada vez mais otimizada conforme seu uso por diferentes perfis de profissionais do mundo todo.