A expansão do bilinguismo: precisamos falar sobre os professores

Nathalia

17 Maio 2018 | 13h26

Já faz algum tempo que percebemos no dia a dia que o país passou a perceber com mais foco uma necessidade que se faz cada vez mais presente por conta da globalização: ter o inglês como segunda língua. Não só no mundo dos negócios, mas também na educação, o idioma vem se tornando indispensável para o crescimento e o aprimoramento dos profissionais em função da acirrada competitividade da sociedade contemporânea.

Por sua vez, uma grande quantidade de pais passou a despertar para a importância do idioma na vida dos filhos, desejando que eles tenham acesso a um ensino de qualidade, com a possibilidade de contato com línguas estrangeiras desde cedo, tornando seu domínio algo natural, cotidiano e prazeroso.

Todo esse amadurecimento fez com que alguns movimentos em relação à educação bilíngue tivessem início no Brasil. O aumento das propostas de colégios bilíngues, que são aqueles que utilizam o idioma como base para sua comunicação – desde os colaboradores da portaria até o ensino de outras disciplinas, como matemática – é um exemplo. Outra iniciativa que acompanhamos é o investimento por parte de colégios de metodologia comum em programas bilíngues, que são programas que estendem o contato do aluno com o inglês dentro da grade curricular.

E há ainda um terceiro que vem chamando bastante atenção da comunidade em geral. Em meio a uma atualização na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que pela primeira vez torna o inglês uma disciplina obrigatória em todas as escolas, inclusive as do setor público, a partir do Ensino Fundamental II, o país começa a chamar atenção de escolas internacionais em uma tendência que parece só crescer cada vez mais. A Internacional de São Paulo, por exemplo, preparou uma grande unidade no centro da cidade. Já a Concept abriu seu campus em fevereiro também na capital paulista. E a Avenues, de Nova Iorque, está prestes a inaugurar.

Junto com essas novas instituições, surge também a necessidade de um corpo pedagógico altamente qualificado. Essas escolas selecionam os docentes como grandes companhias e multinacionais: enfocam nas habilidades de inovação que oferecem e atraem com os altos salários – que não são comuns em uma profissão que é pouco valorizada atualmente. A remuneração pode chegar a R$20 mil.

Em contrapartida, é exigido que o docente seja bilíngue, um grande obstáculo que ainda precisa ser vencido na nossa realidade. Apesar das novas vagas abertas, o que vimos foi que nem todas puderam ser preenchidas na velocidade desejada por falta de mão de obra qualificada. A situação traz a tona então dois pontos para reflexão.

A latente falta de professores capacitados para lecionar nesses novos formatos de ensino. No Brasil, por muitas décadas, a disciplina do inglês foi tida como menos importante e ministrada por professores que “falavam inglês” para completar carga horária, sem alinhamento com os parâmetros internacionais. E isso se arrastou historicamente. Prova disso é que de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), é estimado que cerca de 85% dos docentes que dão aulas de inglês para alunos de escolas públicas não dominam o idioma.

Uma nova esperança relacionada à valorização dos professores por meio da educação continuada e do plano de carreira. Isso porque, a chegada das escolas internacionais eleva o nível de excelência que precisa ser atingido em serviços educacionais e impacta não apenas os colégios que atuam em um segmento premium, mas todos os outros em função do desejo e da exigência dos pais. E é inviável conduzir esse aprimoramento sem o investimento nos docentes, que são a parte fundamental do aprendizado para todo aluno.

Isso tudo nos mostra que estamos no limite para mudar a forma como enxergamos o inglês dentro do nosso currículo e também a importância de melhor preparar e desenvolver o ativo mais valioso da educação, que são os professores. Se queremos um País mais competitivo e cidadãos preparados para lidar com os desafios modernos, precisamos trabalhar para que isso aconteça, tanto do ponto de vista metodológico (para que tenhamos práticas mais ativas, que coloquem o estudante no centro do conhecimento, tornando-os mais autônomos e seguros), quanto do ponto de vista de proficiência do inglês (que atua como um meio de comunicação e de ligação entre os objetivos e os resultados).