VESTIBULAR E CARREIRA: Meu filho precisa escolher uma profissão. E agora?

Colégio Stockler

01 Agosto 2017 | 16h21

5 erros que os pais costumam cometer nessa hora e como evitá-los

Por Maria José Gimenes
Orientadora educacional do Colégio Stockler
Especialista em Orientação Profissional

Quando se aproxima do final do Ensino Médio, é comum o adolescente sentir-se extremamente inseguro e ansioso.  As primeiras manifestações desse estado emocional costumam ser atitudes imaturas e posturas mais questionadoras do que o usual.  Observamos um desejo de autoafirmação que por vezes esbarra na arrogância, mas que, na verdade, espelha as intensas contradições que marcam essa fase da vida.  No fundo, o jovem está carente de amor, de escuta e de compreensão. Ao mesmo tempo em que deseja liberdade e autonomia, não está pronto para abrir mão da rede de segurança oferecida pela família.  É nesse contexto, emocionalmente caótico, que exigimos do adolescente que ele decida qual profissão deseja seguir.  Não é de se estranhar que essa escolha seja fonte de tantos conflitos entre pais e filhos.

Para ajudá-lo a atravessar o ano de vestibular com mais serenidade, reunimos alguns erros comuns cometidos pelos pais ao vivenciarem o processo de escolha da profissão de seus filhos, assim como algumas sugestões para não cair nessas armadilhas:

 

1. Menosprezar a ansiedade do adolescente

Lembre-se: quando duas ou mais escolhas são igualmente atraentes, decidir vira tarefa muito delicada. Além disso, pensar no que será deixado para trás ao se optar por um caminho e não pelo outro pode gerar na pessoa a impressão de estar perdendo algo que poderia ser ainda melhor. Em suma, motivos para a angústia de seu filho não faltam. Procure exercitar a empatia e, sempre que possível, escute mais e julgue menos.

 

2. Projetar os próprios sonhos e ambições no filho

Todo pai deseja que seu filho seja um profissional bem sucedido. Mas você já parou para pensar nos critérios usados para definir sucesso? Haveria outras medidas de realização? Incentivar seu filho a pensar grande, a estabelecer metas ambiciosas é ótimo. Mas cuidado para que esses objetivos pertençam, de fato, ao adolescente. Caso contrário, corre-se o risco de o jovem tomar uma decisão com o único intuito de não frustrar seus pais e acabe, ele mesmo, um profissional frustrado.

 

3. Forçar o jovem a seguir os passos do pai ou da mãe

É comum que pais com carreiras sólidas desejem poupar seus filhos do esforço de começar do zero. Dentre os profissionais liberais – médicos, advogados, dentistas, por exemplo – esse fenômeno é ainda mais comum. Mas será que a possibilidade de pular algumas casas no jogo profissional vale o risco de embarcar em uma carreira que não corresponda ao seu perfil? Passamos a maior parte de nosso tempo trabalhando. Quais serão as consequências para a saúde mental de seu filho caso ele embarque em uma jornada escolhida seguindo critérios que pouco ou nada tiveram a ver com suas reais aptidões e interesses?

 

4. Estabelecer expectativas muito baixas

Se projetar as próprias ambições no jovem é nocivo ao processo de escolha, o mesmo pode ser dito sobre a descrença na garra do adolescente. Aliás, por mais críticas que possamos fazer aos mecanismos de seleção para ingresso na faculdade vigentes no Brasil, eles são bastante interessantes ao premiar o foco e a disciplina. Por isso, antes de dizer a seu filho que ele não tem condições de passar neste ou naquele vestibular, que tal carreira é para gênios, que certas profissões não servem para mulheres (sim, isso ainda acontece!), pense em quantas vezes você já não foi surpreendido pela capacidade de superação dessa criança, hoje adolescente. Por que a escolha profissional e o sonho de cursar uma faculdade de ponta haveriam de ser diferentes?

 

5. Confundir ser e fazer

Diversos especialistas, dentre eles a terapeuta Rosely Sayão, já apontaram os riscos de se atrelar a identidade de uma pessoa exclusivamente à sua vida profissional. Será que você é apenas aquilo que você faz como assalariado (ou voluntário)? A escolha profissional adquire um caráter absurdamente definitivo e, consequentemente, assustador quando colocada dessa forma. É importante que, ao conversar com os filhos sobre carreira, os pais ressaltem que há toda uma vida a ser vivida fora do horário do expediente. O reconhecimento que resulta de um trabalho bem feito é algo positivo, óbvio. Mas nem tudo o que somos, e tampouco aquilo em que nos tornamos, depende apenas de nosso diploma universitário. E muito menos de nosso crachá.

Para refletir:
Assista ao TED Talk da filósofa Ruth Chang sobre escolhas difíceis

 

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