Tolerância em prática

Tolerância em prática

Colégio São Luís Jesuítas

08 Maio 2017 | 11h41

Alunos participam de cerimônia inter-religiosa e conversam com pessoas que superaram episódios de violência ou discriminação 

 

E se você tivesse a oportunidade de conversar com uma vítima de violência doméstica, um pai de santo, um sociólogo negro que estudou em Princeton e uma atriz e dançarina que tem o lado esquerdo do corpo debilitado devido a um AVC?

Os alunos da 2ª série do Ensino Médio do Colégio São Luís passaram por essa experiência no Laboratório de Humanística, realizado em maio na Vila Gonzaga.

Depois de participarem de dinâmicas que os fizeram perceber como, muitas vezes, temos o impulso de nos posicionarmos diante de questões polêmicas sem pesquisar sobre elas, os alunos foram divididos em quatro grupos e tiveram meia hora para conversar com cada um dos convidados.

Numa das salas, escutaram o depoimento da técnica de enfermagem Ildeir Rosa da Silva, que é funcionária do colégio. Ela contou sobre momentos difíceis que viveu no casamento. O pai de santo Delton Crispin do Nascimento tirou dúvidas sobre o Candomblé e as diferenças desta religião com a Umbanda, esclarecendo mitos e preconceitos populares.

Para falar sobre racismo, foi convidado o professor e doutor em Sociologia Matheus Gato de Jesus. Além de vasto conhecimento, ele é um exemplo de quem rompeu as barreiras sociais e raciais: cursou Ciências Sociais na Universidade Federal do Maranhão e fez um doutorado na USP, com estágio “sanduíche” em Princeton, nos Estados Unidos.

A quarta convidada foi a dançarina e atriz Estela Lapponi, que orientou sua carreira para a pesquisa “Corpo Intruso”, sobre inclusão artística de pessoas com deficiência, após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixou o lado esquerdo do seu corpo com pouco controle motor. Performática, ela se apresentou usando um par de óculos com olhos pintados, como metáfora para que os alunos percebessem como as características físicas influenciam na forma como somos percebidos – e também como nos percebemos.

A finalização da reflexão deu-se com uma cerimônia inter-religiosa do catolicismo e do candomblé. Nela, procurou-se celebrar o significado original da religião – uma palavra que vem do latim religare, ou seja, tem um propósito de unir as pessoas a Deus e aos outros. A celebração lembrou das pessoas que sofrem e teve como mensagem principal a tolerância consigo e com o outro.

Projeto de Vida

Os Laboratórios de Humanística fazem parte do Projeto de Vida, uma metodologia pensada para valorizar e entender a potência da trajetória de cada indivíduo, em todas as séries e cursos, e desenvolver estratégias para lidar com as questões que envolvem os diferentes grupos de estudantes e, ao mesmo tempo, melhorar ainda mais a convivência no espaço escolar.

Aspectos da sociedade contemporânea como a conectividade em excesso, medo da violência urbana, infâncias cerceadas, cuidados terceirizados e a perda de valores essenciais de convivência são motivos de atenção nas relações dentro dos espaços de aprendizagem.

O ser humano é complexo e a partir das suas experiências socioemocionais desenvolve condições para aprender e compreender o mundo que o cerca e os conteúdos escolares. Mas experiências dessa dimensão precisam ser vivenciadas para serem aprendidas. Por isso, o Colégio São Luís dedica aulas mensais, saídas, palestras, espetáculos ou vivências dentro do Projeto de Vida.