Bullying: como ver o invisível?

Bullying: como ver o invisível?

Colégio São Luís Jesuítas

07 Abril 2018 | 12h25

É preciso sensibilidade para criar ambientes em que o respeito seja elemento cotidiano.

*por Tuna Serzedello, Coordenador da Dimensão Socioemocional, e Mônica Polônio, Orientadora Educacional do 6º ano do EF II do Colégio São Luís

O bullying é um mal invisível. Se desenvolve longe dos olhares dos professores e dos pais. Potencializado pelas redes sociais e pelos aparelhos móveis, encontra neles ambiente fértil para se multiplicar exponencialmente e numa velocidade incrível.

“Chamamos bullying a intimidação e o maltrato entre escolares de forma repetida e mantida no tempo, sempre longe dos olhares dos adultos/as, com a intenção de humilhar e submeter abusivamente uma vítima indefesa por parte de um abusador ou grupo de valentões através de agressões físicas, verbais e/ou sociais com resultados de vitimização psicológica e rejeição grupal. ” (Avilés, 2006)

Sabemos ainda que esse fenômeno pressupõe uma plateia que assiste a essa intimidação e que ele se repete em um ciclo vicioso. A vítima pode se transformar em agressor em diferentes grupos de convívio. Precisamos tratar de todas as pontas: vítimas, agressores e plateia. Mas como fazer isso, se esse é um mal invisível? Existe uma escola sem bullying? Como criar um programa de combate a esse mal nas diferentes faixas etárias?

O Colégio São Luís aceitou esse desafio e realiza diferentes ações em todas as séries para mapear e refletir sobre essas práticas. Os Laboratórios de Humanística são um espaço importante para observar as relações entre os alunos e identificar suas características, buscando novos vínculos entre os pares e seus professores e refletindo sobre a construção das relações. Educadores do CSL são formados para atuar na resolução de conflitos e pontuar rapidamente situações de bullying nas salas. Seguranças e auxiliares também observam nossos alunos durante intervalos e nos horários de entrada e saída.

Os grandes aliados no combate ao bullying, no entanto, são os próprios estudantes. Especialistas apontam a autorregulação e a formação de grupos de alunos no combate ao bullying como as mais eficazes ferramentas para o seu controle. Alinhado a esses especialistas, o CSL realizou no ano passado uma grande pesquisa sobre o assunto em todas as séries (do 6º ano do EF II à 3ª série do EM diurno e noturno) construindo uma espécie de “mapa do bullying” no Colégio. Os dados foram apresentados aos integrantes do Grêmio Estudantil e a todos os representantes de sala para que ajudassem a pensar em atividades para melhorar o convívio dentro das salas. A própria realização da pesquisa e a conversa com os alunos foram grandes passos e deram muitos resultados. Outra boa notícia foi a de que os casos relatados pelos alunos já estavam mapeados pelos orientadores e sendo acompanhados. Os professores também conheceram esses dados e basearam seus planejamentos do ano nessas informações, no que se refere às competências socioemocionais.

É preciso sensibilidade para criar ambientes em que o respeito seja elemento cotidiano. O trabalho é árduo e contínuo para que as relações no ambiente escolar sejam saudáveis e construtivas, criando um lugar de harmonia e propício para potencializar o aprendizado de todos. Nosso trabalho é transformar a invisibilidade em inexistência.