Troca-Troca de tudo

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Escola Santi

15 Dezembro 2015 | 16h53

Comunidade Santi se une na realização de uma grande feira de troca de livros, materiais escolares e uniformes

 

Reduzir, reutilizar, reciclar, repensar – é sempre bom lembrar que estes quatro R’s podem nortear as nossas ações, das mais simples às mais complexas. Em ano de COP21, a conferência do Clima realizada em Paris para deter o avanço do efeito estufa, da qual já falamos aqui no blog, e em um ano em que sofremos com a falta de água, torna-se cada vez mais necessário conscientizar as pessoas para agir de forma sustentável.

Os exemplos na escola e na família são fundamentais para a educação das crianças neste sentido. Mais do que falar, é preciso fazer, e por isso a Escola Santi, localizada no bairro do Paraíso, realizou nesse final de ano o 2º Santi de Portas Abertas para a Comunidade, onde pais e escola se reuniram para organizar três feiras de troca simultâneas, oferecendo material didático, uniformes e livros de literatura.

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“As feiras de troca de uniformes e livros já eram iniciativas separadas que aconteciam todo o ano na escola, mas organizadas por funcionários. Nós nos empenhamos em abrir cada vez mais as portas da escola para a comunidade, no sentido de estabelecer uma parceria. Então nesse ano iniciamos as conversas com os pais sobre o assunto, e as trocas foram idealizadas pelos pais, tendo a escola mais como o suporte para a realização do evento”, conta a assistente de coordenação da Santi, responsável pelo evento, Camila de Mauro.

Ao longo desse segundo semestre de 2016 foram formadas três comissões de pais, cada uma responsável por receber, catalogar e organizar os itens referentes a uma das trocas. Essas comissões se reuniram na escola para decidir os detalhes da feira e serviram para mobilizar os outros pais e os alunos tanto para a entrega de materiais para doar quanto para a participação no dia das trocas.

“Foi muito legal, pudemos conhecer gente nova, formar um grupo unido para alcançar um objetivo. É muito importante que a escola propicie esses momentos, pois ela é o elo que une todo o mundo que leu os mesmos livros, precisa dos mesmos livros, dos mesmos uniformes e é um espaço para a gente se apropriar, como uma parte importante da nossa comunidade”, diz Raquel Calixto Holmes, mãe dos alunos do 4º ano Pedro e Lucas Bastos e integrante da comissão organizadora responsável pelos livros de literatura.

Raquel conta que achou a feira de trocas uma iniciativa fantástica, tanto ecológica quanto economicamente, no que é apoiada por Karla Liparizi de Souza, mãe da Marina Souza, do 3º ano, e da Mirela Souza, do T5, e parte da comissão organizadora responsável pela troca de uniformes:

“Essa é uma iniciativa que desmistifica a ideia da troca como uma coisa negativa. Com os próprios pais vindo, eles ensinam os filhos não só a cuidar das próprias coisas para poder doar para os outros como também a valorizar o que recebem. Essa reciclagem das coisas, a preocupação com a sustentabilidade, é algo bem positivo e alinhado com o contexto atual.”

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Mas não foram só os pais que apoiaram, se envolveram e apreciaram as trocas. Os alunos da Santi, de todas as idades, se mobilizaram junto com as famílias para separar e organizar seus livros e uniformes para doar e participaram da feira ajudando os pais com as listas de material do próximo ano e buscando livros interessantes para suas próprias coleções. A professora do 4º ano, Andréa Ribeiro, conta que quando alguns pais foram até sua sala para contar da feira, geraram uma grande comoção entre os alunos, que passaram a perceber o quão importante era essa iniciativa.

“No começo eles não entendiam a necessidade, perguntaram “mas por que não comprar? Por que vou dar pra alguém um livro já escrito?”, até que um aluno disse que são usados 540 litros de água para fazer um livro e eles começaram a pensar que se gasta água e árvores para fazer um livro e fizeram a conta: quantos litros de água são gastos nos livros todo ano, se a escola tem 700 alunos? É importante mostrar para as crianças que economizar água não é só diminuir o tempo do banho, até os livros que você compra têm um impacto”.

As amigas do 7º ano, Ana Clara Azambuja e Yasmin Beraldi, foram algumas das crianças que se mobilizaram junto com as famílias para separar seus pertences e fazer as doações para a feira, e dizem que acharam muito legal poder trocar coisas com o pessoal das outras turmas. “A gente vive num mundo com muita poluição e desperdício, e os livros estão caros e muita coisa é difícil de achar, então aqui a gente tem chance de ajudar quem precisa e de achar o que precisamos também, assim todo o mundo se ajuda”, dizem.

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Todos os que se envolveram com a Feira de Trocas, seja como organizadores, doadores ou participantes concordam que foi um grande sucesso. E tanto a escola quanto as mães prometem: ano que vem tem mais.

“Vamos garantir pelo menos dois momentos por ano com essa proposta da escola aberta para a comunidade, seja para trocas ou para outros assuntos que os pais tragam como desejo ou que sejam importantes para o contexto do momento”, finaliza Camila, representante da escola e responsável pelo evento.

Confira aqui as fotos do evento e clique aqui para saber mais sobre o 1º Santi de Portas Abertas para a Comunidade, que tratou sobre o uso consciente de água.