Renovar e se reinventar

Renovar e se reinventar

Escola Santi

30 Junho 2015 | 11h00

Que as novas tecnologias mudaram a forma que os jovens e as crianças interagem e aprendem todo mundo sabe, mas até que ponto estamos incorporando essa cultura digital no jeito de ensinar? Márcia Padilha há mais de 15 anos desenvolve projetos voltados para a educação de jovens e o uso da tecnologia na educação. Na entrevista para a Escola Santi, ela fala sobre os desafios da escola para dialogar com as novas gerações.

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Santi: Qual é o profissional que o mercado está pedindo? Como as escolas podem ajudar a preparar os alunos a terem essas competências solicitadas?

Márcia: ​O mercado e a sociedade estão necessitando de pessoas com mais empatia, muito mais ​autoconhecimento​ e com flexibilidade para conviver com as diferenças e com um mundo que muda o tempo todo​. Mas também precisamos formar pessoas com muito mais criatividade e perfil empreendedor. Não no sentido de ter necessariamente seu próprio negócio, mas no sentido de ter a capacidade de modificar a realidade, interferir, fazer a diferença seja no campo social, produtivo ou acadêmico. ​

Santi: Qual o papel das famílias e das escolas neste processo de educação das novas gerações?

Márcia: As escolas devem rever seu papel e seu formato, isso é essencial para que não fiquemos apenas na intenção e cabe às famílias apoiar as escolas nesse sentido. Às vezes, as famílias ficam muito inseguras, pensando “no meu tempo funcionava” ou “eu aprendi muito bem sem nada disso”. A questão é que o mundo mudou. Para termos um norte e um motor para inovar é preciso perguntar às crianças e aos jovens o que eles gostariam de experimentar na escola e o que os motiva para o aprendizado e para a vida.

Santi: Como estão se desenhando os novos espaços de aprendizagem? O que eles precisam ter?

Márcia: Estamos caminhando para a interação entre pessoas, para um currículo ligado à vida e interdisciplinar. A escola tem que ampliar o tempo dedicado à pesquisa experimental, tecnologia de informação e comunicação, diálogo, relações mais horizontais e solidárias, criatividade. Não se pode olhar apenas para o Enem, isso é reduzir algo bem mais complexo. É preciso exigir mais.

Santi: Como esses espaços podem responder à uma nova lógica de comportamento e à articulação das várias formas de trabalho, família, formação continuada, etc?

Márcia: Não há resposta pronta, mas várias experiências pelo Brasil e pelo mundo sobre as quais vale um olhar atento. Me parece, e creio muito nisso, que os novos espaços precisam ter um pouco mais de inusitado. Precisamos sair um pouco pra rua, levar os estudantes para aprender com a cidade. Precisamos abrir a escola para outros universos, fazer a ponte com a sociedade, trazer profissionais da arte, da pesquisa, do design, da engenharia, da saúde para dentro da escola. Não como docentes tradicionais, mas como colaboradores de um novo espaço escolar, atuando em parceria com os docentes sem escolarizar a vida.​ É muito difícil o professor ter oportunidade de rodar muito, viajar, experimentar. A rotina escolar é muito exigente e sua formação inicial é fechada entre muros. É preciso fazer o docente circular mais e abrir a porta da escola para que ele conviva com novos colegas, para que se abra para outras “culturas”, novos paradigmas. A escola tem que ser um espaço formativo para toda a sua comunidade, inclusive para os pais. Todos ganham com isso.

Santi: Você poderia falar sobre o que seria a nova lógica de comportamento aos jovens?

​Márcia: De um modo geral, sou bastante otimista em relação às possibilidades dessa nova geração, desde que nós, adultos, os observemos com abertura para o diálogo. Temos que evitar posturas excessivamente críticas, amedrontadas e pessimistas para termos a possibilidade emocional, a predisposição profunda de aprender e interagir com eles.​

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Márcia Padilha é coordenadora da pós graduação em Educação Inovadora no Instituto Singularidades e co-fundadora da MEIO (empresa de projetos em educação para transformar problemas educacionais em oportunidades de inovação) e do LED (Laboratório de Experimentações Didáticas) voltado para a formação inovadora de professores.

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