Os rios ocultos de São Paulo e a crise hídrica

Os rios ocultos de São Paulo e a crise hídrica

Escola Santi

27 Setembro 2017 | 16h45

O processo de urbanização da cidade canalizou e escondeu muitos dos rios que existiam aqui. Quais as consequências dessa ação nos dias de hoje?

 

Os alunos do 6º da Escola Santi – localizada no bairro do Paraíso – estão pesquisando sobre os rios “escondidos” na cidade de São Paulo que, devido à urbanização e a projetos como a canalização, acabaram desaparecendo da vista da comunidade e muitas vezes só são lembrados devido a impactos ambientais como enchentes.

Numa iniciativa conjunta entre as disciplinas de Ciências Naturais, Geografia e História, os estudantes estão levando a cabo o projeto “Rios Ocultos”, em que realizaram saídas pelas ruas na região da escola e mapearam os locais onde possivelmente nasce um rio que deságua no lago do Parque do Ibirapuera. Identificando a nascente, os estudantes seguiram o curso até o parque e levantaram sugestões para o tema.

A ideia do projeto é investigar, comparando com mapas antigos, e explicar o que ocorreu com os rios e quais os motivos do seu desaparecimento. O projeto inclui ainda uma pesquisa sobre o tema, com entrevistas com a população, além da captação de imagens para um possível documentário.

“Esse projeto proporciona uma reflexão sobre a problemática do abastecimento de água, relacionado com aspectos naturais e de urbanismo. As descobertas dos rios se relacionam, entre outras coisas, com a questão da crise hídrica que São Paulo já viveu e poderá viver novamente e é realizado em conjunto com Ciências, Geografia e História”, explica Stefan Bovolon, professor de ciências da Escola Santi.

Os estudantes estabeleceram uma relação entre os aspectos de preservação ambiental (como região de mata ciliar, região de várzeas e nascentes) com as questões problemáticas potencializadas pelo tipo de urbanização empregada em São Paulo, como crise de abastecimento de água e enchentes. Entre outras questões que foram levantadas, por exemplo, está a descoberta de que a Avenida Paulista é um divisor natural de águas da bacia hidrográfica do Tietê.

Criar uma conscientização sobre essas questões não é importante apenas para os alunos, mas para toda a comunidade, conforme contaram Fernanda e Vinicius, do 6º ano, após a saída até o Parque do Ibirapuera:

“Quando a gente falava com as pessoas na rua, quase ninguém sabia que passava um rio ali embaixo. Além de isso causar alagamentos, a praça onde nós mapeamos o lugar da nascente do rio está suja e mal cuidada e isso pode contaminar a água. É muito importante conscientizar as pessoas sobre esse problema, por isso foi muito legal nós termos falado com algumas pessoas e estarmos fazendo esse projeto que nós vamos compartilhar depois.”