Memória, aventura e inovação na Ilha do Cardoso

Memória, aventura e inovação na Ilha do Cardoso

Escola Santi

08 Setembro 2015 | 11h11

Viagem é oportunidade para novas propostas dentro da escola

 

Muito se fala sobre inovação na educação ao mesmo tempo em que se exige que um currículo seja ensinado, avaliado, num tempo limitado. Além disso, alunos estão conectados, conteúdos estão disponíveis e a dinâmica do mundo os atrai mais do que a sala de aula. O desafio é repensar cada ação mas, muitas vezes, inovar é mais simples do que parece.

 

Todos os anos, os alunos do 7° ano da Escola Santi visitam o Parque Estadual Ilha do Cardoso. O destino é o mesmo, mas tudo pode ser diferente no que diz respeito à aprendizagem. Na era da colaboração, integração, tecnologia, relacionamento, os professores de ciências, língua portuguesa e geografia, responsáveis decidiram fazer diferente.

 

“O estudo foi pensado para que os alunos tivessem uma vivência significativa com o olhar direcionado para determinadas memórias: arquitetônica, religiosa, cultural, memória da palavra, da água, da terra e da paisagem”, comenta Alex Nogueira, professor de língua portuguesa.

 

Segundo os professores, a cidade deixa de ser um objeto de observação e passa a desenvolver a empatia do aluno, quando ele se identifica com as pessoas de lá. Só assim ele enxerga o outro de forma mais ampla e semelhante.

 

A memória da palavra é coletada por entrevistas, observando o sotaque e o regionalismo. A arquitetura é pensada para além do estético, conhecendo o contexto histórico que a envolve. Os sons, a religião, as paisagens, a cultura, tudo é registrado por meio de imagens e sons.

 

Todo o deslocamento é feito com calma e atenção. Atenção aos detalhes, à história do lugar e às pessoas. Caminhar, olhar, sentir a cidade. Desacelerar um pouco e de fato prestar atenção no que está acontecendo ali. Registrar as memórias observadas da melhor forma possível, com o único instrumento que têm em mãos: o celular. Fotografias, vídeos, áudios, tudo é possível. Com celulares em mãos, os alunos percorrem e registram as ruas com os olhares atentos.

 

A inovação continua após a viagem!

 

No retorno, os adolescentes são convidados a organizar, classificar e compartilhar seus registros “nas nuvens”, no ambiente virtual utilizado pela escola. A coleta seria organizada em banners virtuais,  durante aula integrada proposta pelos professores algumas semanas depois.

 

No início deste ano, a Santi inaugurou o Espaço Conexão, um espaço de convivência, onde os alunos se reúnem no contra-período, para fazer trabalhos, lição de casa, participar de plantões de dúvidas ou simplesmente conversar. O layout, desenhado pelos alunos, é descontraído, com mesas redondas, coletivas, puffs, cadeiras coloridas e bancadas para uso de computadores.

 

Foi neste ambiente que os três professores – Alex, Stefan e Bruno, realizaram uma aula integrada, com os cerca de 56 alunos que participaram da viagem. Alguns dias antes, os jovens se organizaram em grupos, de acordo com seus interesses nos temas diversos, e então se juntaram para um objetivo comum. Acessaram os registros virtuais coletivos – bancos de imagens, textos, vídeos e voz, produzidos por eles, para selecionar as informações que seriam úteis para a construção de seus banners. Completamente entretidos pelo desafio, depois de algumas horas, foram capazes de produzir e finalizar orgulhosos o que foi proposto.

 

“Estamos acostumados com o jeito da nossa sala trabalhar. Quando juntamos com a outra turma, tivemos que adaptar esse jeito para trabalhar em parceria com eles”, comenta Antônio Mola, aluno do 7º ano.

 

Depois de alguns meses, a Santi receberia a delegação da Armênia, participante do Evento mundial World Skills. Durante a recepção, em que foram trocadas informações sobre os dois países, os jovens viajantes apresentaram os banners, em inglês, com o intuito de apresentar um ponto turístico brasileiro aos convidados estrangeiros.

 

“Com mudanças pequenas, mas muito significativas, como o uso da tecnologia para registro e organização da informação, a integração entre áreas e grupos, a participação dos alunos nas decisões ao longo do processo, tempo e espaço diferenciados para as aulas, dentre outras, o estudo de tornou muito mais significativo e interessante para todos”, afirma um dos professores responsáveis pelo projeto.

 

Confira imagens do processo de aprendizagem dos alunos do 7º ano da Escola Santi que participaram desta iniciativa.