Livros acessíveis a todos

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Escola Santi

23 Dezembro 2015 | 19h31

Alunos do 2° ano da Escola Santi doam áudiolivro produzido no projeto de reescrita de contos para o acervo da Fundação Dorina Nowill para Cegos

 

Imagine entrar numa sala de olhos fechados. Do seu lado, a mão de um dos seus amigos em seu braço e a voz dele te guiam. Você não sabe onde está, não sabe como aquele lugar se parece, então seu amigo tenta descrevê-lo para você: “Ali tem uma mesa” Ali? Ali aonde? “Em cima da mesa têm uns livros” Que livros? Quantos livros? “Do lado tem uma máquina estranha” Máquina estranha? Estranha como? De qual lado?

Mesmo com o relato em pedaços, aos poucos um retrato do lugar onde você está vai se formando em sua mente, então você abre os olhos e… Não era nada daquilo que você imaginava.

Para os alunos do 2° ano da Escola Santi, que puderam abrir os olhos depois, foi fácil perceber a diferença, mas para os mais de 6 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência visual, detalhes tão simples quanto saber se a porta possui um batente ou se uma mesa está à esquerda ou à direita, fazem toda a diferença.

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Esse foi apenas um dos aprendizados que os alunos da Santi, escola localizada no bairro do Paraíso, em São Paulo, adquiriram durante sua visita à Fundação Dorina Nowill para Cegos. Durante todo o período em que passaram na fundação, eles aprenderam sobre o que significa ser cego ou possuir baixa visão e puderam vivenciar algumas das atividades que fazem parte do cotidiano dessas pessoas.

“A monitora aproximou as crianças desses conceitos, mostrou imagens sobre as diferentes formas como as pessoas com baixa visão enxergam, dependendo da causa, e então mostrou às crianças o que esses conceitos representam na vida real. Eles também aprenderam sobre a condução, como abordar uma pessoa cega, como ajudar, como guiar sem restringir a liberdade, e puderam perceber o quanto a cidade não está devidamente adaptada para essas pessoas, o que é muito importante para desenvolver um olhar crítico em relação a tudo isso”, conta a professora do 2° ano B, Patricia Souza.

A experiência impactou muito os alunos. Ao se colocarem no lugar do outro, percebem que, apesar das diferenças, vivem vidas praticamente iguais. “O que eu mais gostei foi andar com a bengala no chão especial, testar o caminho na frente”, revela a aluna do 2o ano, Luara Correia, “Foi muito interessante experimentar como as pessoas cegas vivem, porque eu não sabia como era, achei que ia ser super difícil, mas a gente aprendeu que é uma vida normal, só precisa se adaptar”.

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A visita, que por sí só já contaria como uma experiência incrível, não foi por acaso. Todos os anos, os alunos do 2o ano produzem, nas aulas de língua portuguesa, um áudio livro com a leitura em voz alta de contos clássicos, como Cachinhos Dourados, Os Sete Corvos e O quebrador de Pedras. O estudo desenvolve uma série de competências de escrita e leitura, uma vez que as crianças reescrevem os textos e os leem em voz alta para fazer as gravações. Nesse ano, todos os áudio livros produzidos foram entregues à Dorina Nowill para serem acrescentados à biblioteca da Fundação e serem desfrutados pelas crianças que estudam lá ou em qualquer uma das escolas, bibliotecas e fundações que são suas parceiras.

A ideia do projeto sempre foi dar a ele um fim, um destino real, para que as pessoas da comunidade pudessem se beneficiar desse material, então além de colocar os produtos no site da escola, para todos que quiserem ver e ouvir, decidimos levar para uma instituição voltada para pessoas com deficiência visual, porque sabemos que ainda existem poucos materiais destinados para essas pessoas que têm essas necessidades especiais”, explica a professora do 2o ano C, Lara Marin.

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Durante a visita, os alunos puderam passar pela gráfica da Fundação, que produz milhares de livros em braile todo ano. Os livros produzidos pela Dorina são especiais, pois não apenas os textos são colocados em braile, como as figuras também. Cada página de cada livro possui sua própria chapa, o que torna o processo trabalhoso e caro, e as doações para a instituição tão importantes.

“Quando a gente visitou, a gente experimentou os livros em braile e os livros falados que eles já tinham e foi muito legal levar o livro que a gente trabalhou o ano inteiro pra fazer e deixar pra eles, porque muita gente não consegue ver, mas eles conseguem ouvir então todo mundo vai poder ouvir o que a gente fez. Eu espero que eles gostem do meu conto e do de todo mundo!”, finaliza a aluna Helena Mendes.

Confira aqui os áudio livros produzidos pelos alunos que foram dados para o acervo da Dorina Nowill.

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Fundação Dorina Nowill para Cegos

A fundação é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, criada em 1946 por Dorina Gouveia Nowill. Dorina ficou cega aos 17 anos e, ao perceber a falta de livros em braile, além das péssimas condições para a inclusão de pessoas com deficiência visual nas escolas, universidades e no mercado de trabalho no Brasil, criou a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, mais tarde rebatizada em seu nome.

Há 65 anos, a Fundação trabalha para facilitar a inclusão social de pessoas cegas e com baixa visão, por meio de produtos e serviços especializados, como a oferta de livros em braile, falados e em formato Daisy, parcerias com escolas, empresas e bibliotecas, realização de cursos e palestras, além de possuir uma clínica de visão subnormal e serviços de reabilitação, de educação especial e de treinamento para o mercado de trabalho.

Para saber mais sobre a Fundação Dorina Nowill e seu trabalho e saber como ajudar com doações ou voluntariado, acesse o site.

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