Imigração de Venezuelanos

Imigração de Venezuelanos

Escola Santi

26 Março 2018 | 16h52

Entre os produtos a serem criados estão um telejornal, um jogo de tabuleiro e folders informativos, com o objetivo de combater as notícias falsas.

A recente onda imigratória de venezuelanos que chegam ao Brasil pela região Norte e a possibilidade de se deslocarem para a capital paulista buscando uma vida melhor é alvo de projeto de estudo de alunas e alunos da Escola Santi – localizada no bairro do Paraíso, em São Paulo. O objetivo é conscientizar os estudantes e a comunidade escolar sobre as notícias que circulam nos grandes meios de comunicação sobre o tema, de forma a utilizar debates realizados sobre saúde em Ciências Naturais e em Globalização das Informações em Geografia, dando meios para que os alunos analisem as graves questões sociais e, principalmente, de saúde pública, envolvendo a população venezuelana que chega ao nosso país.

Orientado pelo professor de Ciências Naturais Stefan Bovolon e pela professora de Geografia Andrea Sporl, o projeto Saúde Pública e Globalização na Imigração de Venezuelanos para o Brasil leva à sala de aula para os jovens com idades entre 13 e 14 anos, alunos do 8º ano, as principais preocupações acerca da maneira com que as políticas públicas em saúde têm atendido os imigrantes venezuelanos na cidade e como a globalização influencia no acelerado processo de divulgação de informações, que por vezes, podem não ser verdadeiras.

Dentre as principais questões abordadas está a atual situação envolvendo casos atuais de Sarampo na população venezuelana que chega ao Brasil, e as diferentes políticas de vacinação adotadas pelos governos brasileiros e venezuelanos, que poderão até mesmo restringir a chegada dos imigrantes ao Brasil. Como consequência disso, até mesmo o direito de ir e vir é possível que seja colocado em discussão.  

“Além do Sarampo, outras doenças virais como a Rubéola, combatidas por campanhas de vacinação no Brasil, ainda não possuem o mesmo cuidado na Venezuela, deixando aberta a possibilidade de surtos”, explica o professor Stefan Bovolon. Os alunos e alunas poderão aprofundar os estudos sobre essas questões e analisar os riscos que as doenças trazem.

O professor acrescenta ainda que “é importante expandir a discussão em momento posterior para além da Venezuela, pois o Sarampo não está totalmente controlado em alguns países europeus como a Romênia e a Itália, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2017. Pessoas infectadas desses países podem ser potenciais disseminadores da doença em nosso território se não houver nenhum tipo de prevenção ou campanha nesses locais. Então também cabe uma análise mais ampla do problema, assim como tem sido feito por outros países com relação à nossa situação da Febre Amarela.

Telejornal, Jogo de Tabuleiro e Folder – Entre as atividades socializadoras das informações pesquisadas neste projeto, em sala de aula, estão a criação, por parte dos estudantes, de plataformas em diversas linguagens. Para “noticiar” a questão das doenças em locais fronteiriços no Brasil ou que recebam grande quantidade de pessoas de outros países, bem como alertar na análise mais criteriosa da notícia com a intenção de evitar ou atenuar ao máximo a divulgação de notícias falsas (Fake News), por exemplo, está sendo criado um telejornal, em que os jovens elaboraram um conteúdo informativo neste formato. O telejornal será exibido em um blog criado pelos alunos para divulgar os produtos desenvolvidos por eles.

Paralelamente os estudantes estão desenvolvendo folders informativos com as principais orientações sobre a questão de saúde (no caso, com foco no Sarampo). “Novamente, o objetivo é combater as chamadas ‘fake news’ ou notícias falsas, oferecendo às pessoas um informativo com os dados corretos e confiáveis”, explica o professor.

Por fim, a abordagem lúdica do projeto fica por conta de um jogo de tabuleiro, em que o tema é principalmente a questão de saúde sanitária.

Economia e Custos – Do lado brasileiro, os alunos investigam os trâmites econômicos que a imigração venezuelana traz ao país, analisando quais os custos, a origem dos recursos para arcar com essas despesas e qual o impacto que terá na economia.

Também são levantados dados poucas vezes vistos nos estudos imigratórios como a questão alimentar, a capacidade e eventuais entraves para que a cidade tenha condições de oferecer emprego, educação, saúde e segurança para todos. “Dessa forma podemos contextualizar de maneira mais fidedigna a situação e formar ações mais conscientes sobre o assunto”, finaliza o professor Stefan Bovolon.

Trabalhos produzidos pelos alunos: