Formando leitores literários

Formando leitores literários

Escola Santi

23 Fevereiro 2017 | 15h41

Seja na sala de aula, na biblioteca ou em casa, o que é preciso fazer para que as crianças não apenas dominem a leitura, como tenham gosto por ela?

 

O valor da leitura é algo inegável nos dias de hoje. Ela é necessária para podermos nos informar, para exercermos nosso papel de cidadãos, para fazermos valer nossos direitos, para sabermos o que está acontecendo no mundo, entre tantas outras coisas. Mas há uma grande diferença entre ler um jornal e ser um leitor literário, e nesse quesito o Brasil ainda está atrasado: segundo uma pesquisa realizada em 2016 pelo Instituto Pró-Livro, 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro.

A escola está em uma posição privilegiada para ajudar na formação das crianças em leitores literários. Na Santi, as crianças entram em contato com a literatura em diversos momentos de sua rotina, seja nas leituras compartilhadas, onde toda a turma lê o mesmo livro junto com a professora ou o responsável pela biblioteca, nos momentos de leitura espontânea e livre, ou nas rodas de biblioteca. Cada uma dessas frentes têm objetivos específicos e trabalha a formação do leitor literário de um jeito único, com as suas próprias ferramentas.

A Roda de Biblioteca, por exemplo, é um momento em que as crianças do T2 ao 5º ano podem escolher um livro da biblioteca para ler em casa e, na semana seguinte, trocar com os colegas suas impressões sobre ele. Esse projeto, coordenado pelo responsável pela biblioteca da Santi, Antônio Marcos Panontin, é fundamental para a formação de leitores literários, pois tem como objetivos ampliar o repertório pessoal, atender à singularidade de cada criança e incentivar a leitura por prazer.

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“A questão é: como motivar cada criança a toda semana escolher um livro, realmente ler esse livro em casa, voltar disposta a contar para os outros como foi essa experiência e pegar outro livro para ler na próxima semana? Eu não quero fazer isso com uma criança só, eu quero que isso aconteça com todas as crianças de uma turma, que têm habilidades de leitura e gostos completamente diferentes entre si”, propõe Marcos.

Para suprir essa necessidade, o primeiro passo é garantir que os alunos tenham acesso a uma diversidade de livros que seja equivalente à diversidade presente na turma. Para atender aos diferentes níveis de competência leitora (a capacidade que o aluno tem tanto de entender o vocabulário da história quanto o seu sentido) são oferecidos livros mais curtos e mais longos, sem palavras, com letra bastão ou letra cursiva, com uma mensagem mais clara ou mais sutil. Para expandir o repertório das crianças e atender aos mais diversos gostos, são oferecidos livros informativos, de poesia, contos populares, contos de fadas, de mistério, aventura e etc. E esses recortes vão se sobrepondo até formar o acervo de livros de cada turma. Veja alguns exemplos do acervo de livros do 2º ano:

Mas Marcos defende que, mais importante que a escolha do livro, é criar um ambiente onde elas se sintam confortáveis para conversar sobre suas leituras com franqueza, onde se sintam livres para dizer que não gostaram de um livro ou que não o estão entendendo e sejam respeitadas neste momento, contando com a ajuda do adulto para entender os motivos e encontrar um livro mais adequado. Desenvolver hábitos de leitura – saber quanto tempo preciso para ler um livro, o que fazer se não entendo uma parte e quando abandonar ou continuar – e promover a qualidade da leitura ao invés da quantidade também são práticas fundamentais.

Com um pouco de incentivo, as crianças vão criando autonomia para conseguirem escolher seus livros sozinha, e, mais importante, vão desenvolvendo e mantendo o gosto pela leitura ao longo da vida, e não apenas como uma atividade obrigatória e massante.

“Ler, assim como o brincar, é um fim em si mesmo. Sim, é uma atividade que desenvolve diversas habilidades cognitivas e ensina, mas não é por isso que as crianças leem. Elas leem porque é divertido, porque é legal. E é isso que precisamos nutrir – a leitura como uma forma de deixar a vida mais interessante, que é bom simplesmente porque é bom”, finaliza Marcos.

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