Educação para a sustentabilidade

Educação para a sustentabilidade

Escola Santi

20 Agosto 2015 | 16h39

Ações para economia de água com alunos reduzem em 19% o consumo de água na Escola Santi

A crise no abastecimento de água em São Paulo foi e ainda é um problema grave que merece atenção de toda sociedade. Mas ninguém pode negar que a situação incitou uma onda de criatividade e projetos ambientais que há tempos não era vista em tão grande escala.

Muitos desses projetos foram planejados e implementados por escolas do estado, para conscientização dos alunos e suas famílias sobre a importância de optimizar o consumo da água e outros recursos. O sucesso das iniciativas reafirma como é importante que práticas sustentáveis não aconteçam apenas diante de problemas, mas sim constantemente – dentro e fora da escola.

Na Escola Santi, localizada no bairro do Paraíso, em São Paulo, também foram realizadas ações para a economia de água, incluindo o uso de garrafas nas descargas, a construção de cisterna para captação de água da chuva, novas estratégias para lavagem de pinceis, redução da vasão de torneiras, criação de avisos pelas crianças sobre o uso correto das descargas, dentre outras. Foi realizado também o evento “Água, uso consciente – Santi de portas abertas para a comunidade”, quando foi construída a cisterna (leia mais sobre as medidas da Santi para conscientizar a comunidade para o uso da água em um dos nossos primeiros posts no blog).

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“Nenhuma dessas ações será suficiente se a intenção for apenas resolver um problema a curto prazo. A crise nos ajudou a repensar, criar, inovar, economizar, mas agora o desafio é a mudança de hábito a longo prazo e, de fato, nos tornarmos responsáveis pela parte que nos cabe enquanto cidadãos”, afirma Adriana Cury Sonnewend, diretora geral da Escola Santi.

Desde o início da crise, a equipe de gestão da Santi vem acompanhando o consumo mês a mês e, recentemente, apresentou a toda equipe suas conquistas, com um quadro comparativo do consumo de água na escola nos meses de abril, maio e junho de 2014 e 2015. Todos comemoraram a redução de 19% e pretendem reduzir ainda mais.

A escola como catalisadora do desenvolvimento sustentável

O conceito de desenvolvimento sustentável foi consagrado no relatório “O Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987 pela World Commission on Environment and Development, uma comissão das Nações Unidas, chefiada pela então Primeira-Ministra da Noruega, a Sr.ª Gro Harlem Brundtland.

O Relatório Brundtland (1987), como ficou a ser conhecido o documento, definia desenvolvimento sustentável como “(…)desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades.”

De acordo com a UNESCO, a “Educação para o Desenvolvimento Sustentável é a prática de utilizar a educação para a mobilização voltada à sustentabilidade, por meio do empoderamento de cada ser humano, de modo que possa adquirir os conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários à criação de um futuro sustentável”. Para isso, a Escola Santi criou o SantiSustentável, um conjunto de ações que, desde 2008, envolvem alunos e comunidade.

A Rede Vagalume de intercâmbio entre São Paulo e Amazônia, o Transfrom+ação – que promove melhorias para o bairro, o Santi de portas abertas para a Comunidade e o Santi para Todos – cursos gratuitos para educadores da rede pública, são alguns exemplos do Santi Sustentável. Outras ações são divulgadas na página do Facebook da escola.

“Existe um grande risco, quando se trata de sustentabilidade, de colocar os alunos numa lógica de culpabilização individual porque ‘nós consumimos e agora temos que parar para resolver os problemas do mundo’ e eles acabarem delegando decisões importantes em suas vidas para outras organizações por causa do desespero. O importante é não doutrinar os alunos, mas capacitá-los a analisar criticamente essa realidade de hoje e pensar estratégias para conter esses impactos sem piorar a qualidade de vida,” explica o professor de história da Santi e educador responsável pela Rede VagaLume, Lucas Monteiro.

Alunos da Santi e alunos de escolas da Amazônia, no Acampamento Vagalume, em 2014. Foto por Associação Vagalume.