A diferença entre o que dizemos e o que gostaríamos de dizer

A diferença entre o que dizemos e o que gostaríamos de dizer

Escola Santi

15 Fevereiro 2016 | 11h40

Você sabia que é possível valorizar e reconhecer sentimentos do outro com uma simples mudança de hábito?

 

“Você não tem jeito mesmo! ”
“Quantas vezes terei que falar a mesma coisa com você? ”
“Se você bater no seu irmão, …! ”

 

Falas como estas acontecem com frequência, não é mesmo? Afinal, foi assim que “aprendemos” a falar. Crescemos ouvindo essas falas e consequentemente as reproduzimos. Além disso, há boas intenções nelas!

Acontece que, embora as intenções sejam boas, é necessário que a fala seja um meio de comunicação efetivo.

Quantas vezes nos damos conta de que, mesmo dizendo muitas vezes a mesma coisa, não percebemos avanços no comportamento? Por que, muitas vezes, nos sentimos mal interpretados? E por que será que nos sentimos assim? Por que quando dizemos algo, as pessoas se colocam na defensiva?
Essas e outas perguntas fazem parte do nosso dia-a-dia, não é?

Então, vamos lá. Será que se mudarmos o jeito de falar com as pessoas, familiares, alunos, amigos, veremos mudanças no comportamento?

Sim! O que dizemos interfere diretamente nos sentimentos do receptor. Existe uma diferença entre o que estamos dizendo e o que gostaríamos de dizer. Por isso, a sensação de sermos mal interpretados.
As falas acima não permitem que os receptores reflitam sobre a situação. Apenas fazem com que se sintam humilhados, ameaçados, ridicularizados. Esses sentimentos apenas reforçam a ideia de que “eu não tenho jeito mesmo”, colocando os envolvidos um contra o outro, quando, na verdade, a intenção é estar um ao lado do outro. Emitir juízo de valor não ajudará em nada. Falar sobre a personalidade ou caráter, não favorecerá a construção.

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Para conseguir uma comunicação harmoniosa precisamos falar sobre o que vemos e sentimos. Descrever a situação, fielmente, fará com que o receptor perceba, por ele mesmo, o que é esperado que ele faça. Por meio dessa linguagem, a linguagem descritiva, as pessoas perceberão que seus sentimentos são reconhecidos e valorizados. Todos os sentimentos devem ser reconhecidos e valorizados, o que devemos limitar, são as ações.

Valorizar os sentimentos das crianças não quer dizer que permitiremos que elas façam o que quiserem. Valorizar quer dizer que conseguimos olhar para a ponto de vista delas, perceber o que sentem e, assim, estabelecer os limites necessários. Descrever as situações dará oportunidade às crianças para olharem para elas e refletirem sobre as mesmas.

A linguagem é uma importante ferramenta de construção, pode favorecer a auto-estima e auto-confiança, mas também pode prejudicar. Por isso, devemos ser cuidadosos com as mensagens que transmitimos. Evitar falar sobre a personalidade, ou caráter, como explicitado acima, já é um bom caminho andado.

Uma efetiva comunicação deve alcançar os sentimentos das pessoas, é preciso saber ouvir e sentir-se ouvido, é preciso aceitar, reconhecer e valorizar!

Confira abaixo alguns exemplos de uso da linguagem descritiva:

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Por Fernanda Issa de Barros Farhat, professora do T5 da Escola Santi, que falou sobre este assunto para a Equipe Santi na semana pedagógica 2016.