Torneio das oficinas de esportes

Torneio das oficinas de esportes

COLÉGIO SANTA MARIA

24 Janeiro 2018 | 07h30

Autoria: Tatiana Costa Roth Faria

Durante o ano de 2017, nas aulas extracurriculares de oficinas de esportes do Santa Maria proporcionamos aos alunos uma gama de atividades esportivas com o intuito de poderem vivenciar diversos esportes, trabalhar habilidades motoras em diferentes contextos e fazer com que aprendessem que cada um tem suas particularidades quanto às regras e suas próprias culturas.

No primeiro semestre, focamos atividades pré desportivas em que as crianças vão aprimorando seus gestos motores das modalidades e compreendendo que cada uma tem diferentes estratégias e, assim, se identificando com o esporte que mais gostam.

No segundo semestre, realizamos o jogo propriamente dito, com algumas regras adaptadas conforme a idade do grupo, já que estas atividades são oferecidas para alunos de 2º ao 5º ano. Neste momento, já estão mais familiarizados com os esportes, com os colegas e já têm uma boa desenvoltura dentro de quadra.

No final do ano, fizemos uma proposta às crianças, unindo as oficinas do 3º e 4º ano para juntas disputarem um torneio que durou 12 aulas. Foram divididas em quatro equipes, mistas pelos grupos, dessa forma vivenciaram situações com colegas de idades diferentes, compreendendo que cada um tem um perfil e que cada um gosta de uma modalidade, mostrando que a diversidade e o respeito à individualidade são pertinentes à riqueza de troca de informações.

A cada aula foi disputado um esporte diferente, sendo eles: futebol de campo, handebol, basquete, frisbee, futsal e flagball.

Levando em consideração toda minha experiência como esportista nacional do Ultimate Frisbee, onde em cada jogo avaliamos o adversário e ao final de um campeonato premiamos uma equipe com o título de “Espírito de Jogo”, as crianças foram, ao longo do torneio, fazendo uma autoavaliação da equipe assim como avaliando as equipes adversárias, através do preenchimento de uma planilha e, o mais importante, trocavam muitas ideias, reavaliavam suas estratégias, enxergavam seu adversário com outro olhar, agora mais crítico e, ao mesmo tempo, ocultavam algumas informações, principalmente pela dificuldade que algumas crianças tinham para dizer que ficaram estressadas ou foram “egoístas” em algumas jogadas, por exemplo. Ao final da aula, eu e os professores Marcos e José Luiz como mediadores, alertávamos as equipes sobre alguns pontos que havíamos observado, porém não haviam sido avaliados, fazendo com que percebessem outros aspectos significativos deste rico momento de aprendizagem.

Durante todo o processo, pudemos perceber o quanto iam incorporando e aprendendo a se colocar perante os colegas sendo para se auto avaliar, reconhecer seu adversário e verbalizar as situações em que houve conflito pela derrota de um jogo, pela falta de respeito dos seus colegas ou mesmo de estratégia. É claro que a adesão das crianças nestes momentos não foi de 100%, algumas não se sentem à vontade, não têm maturidade suficiente e estavam preocupadas somente em vencer. Mesmo não opinando e não tendo uma participação efetiva no processo, o fato de perceberem esta mobilização do grupo também foi uma aprendizagem.

Com esses dados computados, fizemos a estatística dessas anotações e premiamos o jogador destaque (aquele que fez alguma jogada fora de série, ou que se esforçou muito), jogador atitude positiva (aquele que apoiava seus colegas e o adversário com palavras de incentivo), jogador artilheiro (com maior pontuação de gols, porém esse não poderia ter sido avaliado como jogador faltoso), equipe espírito de jogo (equipe com maior pontuação na qual seus adversários davam notas de 0 a 10, conforme havia sido a atitude do grupo no jogo). E claro, ao final, todos receberam uma medalha de participação como mérito pelo esforço e dedicação às aprendizagens durante esse nosso ano letivo.

Temos certeza que as crianças saíram com uma sementinha plantada, em que compreenderam que não é só vencer e sim entrar no contexto de uma vida social, onde é preciso ter respeito, saber ouvir, saber que nem sempre estamos no melhor dia e deixamos a desejar no nosso empenho,  que as pessoas são diferentes, seja para resolver determinadas situações ou, por exemplo, para mostrar suas capacidades e habilidades. Levam também uma grande aprendizagem: que não podemos desistir quando o resultado que esperamos não está alinhado com nossas expectativas.

Sucesso para todos esses futuros cidadãos!

 

 

Para ver outras fotos dessa rica experiência, clique aqui:

https://drive.google.com/open?id=1HpRzlVbR9zO4VkPsyNkimAev35SLUoxx