Somos todos jornalistas

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Colégio Santa Maria

12 Outubro 2017 | 07h30

O texto é um evento sociocomunicativo, que ganha existência dentro de um movimento de interação. Quem escreve, pensa no leitor, dialoga com ele, cujas respostas e reações o escritor prevê. Sendo assim, a produção escrita fica muito mais interessante quando esse leitor é real, quer dizer, é alguém que está do outro lado da tela, fora dos muros da escola (ou não).

Os alunos do 5º ano do Colégio Santa Maria, neste semestre, estão produzindo artigos de opinião e notícias para o Blog Santa News, um suporte criado especialmente para essa finalidade. Cada dupla está responsável por um caderno: Cotidiano, Ciências, Santa, Esporte e Cultura. Durante as aulas de Informática e com o auxílio também do setor de tecnologia educacional do Colégio, os alunos aprenderam a utilizar as ferramentas do BLOG: escrever os textos, inserir imagens, vídeos, áudios, gráficos com o objetivo de deixar mais interessantes as matérias escritas. Os pais, os próprios alunos e as pessoas que o acessarem são os leitores e podem deixar seus comentários. Uma maneira de interagirem com seus interlocutores e compartilharem informações, conhecimentos e ideias.

Dessa forma, a escrita passa a ser um trabalho no qual o aluno tem algo a dizer e o faz sempre em relação a um outro (o seu interlocutor/ leitor) com um propósito focado no que acontece em tempo real. É preciso pensar na estratégia linguística, textual, vendo e revendo, no percurso da atividade sua produção. Os alunos sentem-se verdadeiros “jornalistas-mirins”, vão atrás de novidades, fazem pesquisas entre os colegas para elaboração de gráficos, realizam entrevistas com funcionários de diversos setores do Colégio ou especialistas sobre o tema escrito. Portanto, a escrita está em consonância com as práticas sociais.

Rafaela Leme, 10, está radiante por produzir matérias jornalísticas para o Santa News online: “Quando vou à aula de informática, vejo que não estou fazendo um trabalho simples. Estou produzindo algo grandioso e melhor, que será lido por muitas pessoas! Daí tenho de pesquisar, planejar e redigir com atenção o que todos vão ler!”


É esse desafio que impulsiona também Felipe Xavier Carnavalli, 10: “É uma tarefa cansativa, mas quando a gente vê o texto acabado e postado com imagens ou vídeos, a gente se sente feliz, realizado e valorizado, principalmente se deixam comentários.”

É essa consciência que possibilita a competência leitora, pois os alunos necessitam rever, reler e refazer, se preciso for, suas produções a fim de que estejam claras para os leitores. “No começo, achei que seria muito difícil e eu não iria conseguir…Fui aprendendo, me dedicando e me esforçando. Agora, vejo como uma experiência bem legal, porque as pessoas leem e, a partir daí, a gente se sente motivado a fazer mais e melhor”, disse Bernardo Nappo, 10.

Do ponto de vista do gênero, a aluna Ana Clara Melo Cardoso, 10, faz uma observação significativa: “Para virar notícia é preciso que seja algo que desperte o interesse de muitos e não apenas de alguns. Nosso jornal online é feito por crianças para crianças, mas não quer dizer que os adultos também não possam ler. Por isso, precisamos fazer pesquisas para ver se o fato narrado é verdadeiro, ir atrás de outras fontes, ler outros suportes para saber se há continuidade do assunto. Não é igual a um conto, por exemplo, que tem um “fim”. As notícias são resultados da vida real e podem mudar com rapidez.”

Quando a prática auxilia na teoria e os alunos compreendem exercitando, o que levariam muitas aulas expositivas para se apropriarem desses conhecimentos, podemos afirmar que o objetivo foi alcançado.

Ao comunicar-se socialmente, em um blog de notícias e artigos de opinião, os produtores de texto ou “jornalistas-mirins” veem de uma forma concreta a função social da escrita, contribuindo para o constante aprimoramento das produções textuais, desejo real de todo professor. Não é?