Simulações, uma vivência pedagógica

Simulações, uma vivência pedagógica

Colégio Santa Maria

22 Setembro 2017 | 07h30

Autoria:Adriano Skoda

Entre os dias 6 e 10 de setembro ocorreu na FAAP a 14ª edição do Fórum FAAP, uma simulação de comitês da ONU em que estudantes de escolas particulares do Estado de São Paulo assumem o lugar de representantes de países, a fim de defender suas ideias e projetos, buscando criar alianças e garantir a soberania de suas nações. O Fórum, que este ano completou 13 anos de existência, tem contado com a participação do Colégio Santa Maria, de maneira quase ininterrupta, desde 2006.

A vivência no Fórum tem sido múltipla ao longo dos anos, desde delegações de estudantes que encontram nesse espaço um momento de cooperação e confraternização amistosa, nas quais se tem a possibilidade de conhecer colegas de outras escolas e fazer amizades, até edições nas quais as delegações vivenciam uma disputa acirrada, em que estudantes se utilizam de todos os meios possíveis para conseguir se destacar a fim de conquistar o martelo (premiação garantida àqueles que mais se destacam em cada comitê).

Não foram em poucas etapas que os estudantes do Santa Maria enfrentaram tal clima inamistoso, que, em muitos momentos, levou a equipe pedagógica e os professores a questionar a validade dessa experiência e os frutos que dela poderiam ser colhidos.

Contudo, se houve tais experiências, o mesmo não pode ser dito desta última edição. Talvez por se tratar de uma edição menor do que as anteriores, ou mesmo pelo fato de ser a segunda edição ocorrida neste ano, o ambiente do Fórum foi de muita cordialidade e companheirismo. Mesmo nos momentos em que as tensões internas dentro dos comitês se exacerbaram – como no comitê da UA – União Africana, em que uma delegada saiu da sala em prantos devido a colocações de outros delegados –, a atitude de reconciliação e amizade logo tomou lugar dentro do comitê, quando os delegados que haviam criticado a postura da delegada tomaram a palavra para realizar um singelo pedido de desculpas.

Seja em um ambiente competitivo ou cooperativo, a participação dos estudantes nesses momentos de simulação sempre levanta questões à equipe pedagógica, afinal, qual o propósito desses espaços? Treinar os estudantes para o ambiente competitivo das empresas multinacionais em que aquele que mais se destacar terá chances de ser promovido? Preparar os jovens para que desenvolvam habilidades como falar em um espaço público frente a pessoas desconhecidas que dominam o tema tanto quanto aquele que está falando? Possibilitar aos estudantes um espaço de contato com o diferente a fim de enriquecer sua experiência de vida e ampliar seus horizontes de interesse e vivência? Estas são perguntas que ainda não podemos responder de modo definitivo.

É certo, contudo, que independentemente dos sucessos ou fracassos individuais acumulados ao longo desses quatro dias de Fórum, ficou a aprendizagem para aqueles jovens de que é possível encontrar solidariedade junto àqueles que até pouco tempo atrás eram ilustres desconhecidos e de que, para além dos resultados obtidos ao final da simulação, todos os que lá estiveram voltaram para suas casas e escolas cheios de histórias próprias para contar.

Que as escolas continuem viabilizando as mais diversas experiências aos estudantes e se permitam construir junto a eles as reflexões e possibilidades de tais aprendizagens!