Reflexões sobre o desenho

Reflexões sobre o desenho

Colégio Santa Maria

17 Junho 2015 | 07h40

Na Educação Infantil, desenho deve fazer parte do currículo. Alunos precisam desenhar todos os dias. As características do desenho infantil acompanham o desenvolvimento cerebral da criança

Desenhar faz parte da infância. O desenho é uma manifestação simbólica, portanto, a criança desenha o que tem na memória. E para a criança pequena, o desenho sempre conta uma história, ou seja, é sua narrativa. Ao desenhar, a criança organiza seus pensamentos e experiências, desenvolve sua imaginação e criatividade.

Para desenhar é preciso vivenciar, ter experiências significativas. “Sabemos que grande parte dessas experiências deve ser corporal, pois é por meio da interação física que a criança aprende e apreende o mundo”, explica a professora do Jardim I, Claudia Regina Simões Lacerda. Outra questão significativa é o desenvolvimento da função simbólica. “Cabe à escola promover a experiência da expressão simbólica. Contar histórias, dramatizar, desenhar, cantar, ouvir poesias, pesquisar, brincar e assim, criar acervos de memória”, completa.

As características do desenho infantil acompanham o desenvolvimento cerebral da criança. Isso significa que, apesar das práticas culturais, o traçado do desenho não mudará; há um momento para aparecer a circularidade, a reta, o ângulo e, gradativamente, o desenvolvimento da perícia do próprio movimento.

O desenho deve ser parte integrante do currículo escolar e a criança deve desenhar todos os dias. “Com as crianças pequenas, de três a quatro anos, gosto especialmente do desenho de observação, pois ele possibilita a ampliação do olhar, a educação da atenção, lembrando que observar não implica apenas em olhar, é fundamental que a criança, no momento da observação, aguce os seus sentidos”, revela a professora.

Na observação de elementos da natureza, como árvores e flores, por exemplo, a criança deve tocar e perceber a textura da casca da árvore, sentir o aroma das flores, notar a cor e forma de cada pétala. Assim, desenvolve seus sentidos e sua percepção. A percepção é efetivada com a colaboração de cada sentido segundo suas especificidades, ou seja, quanto mais forem capazes de olhar, ouvir, sentir e degustar, mais apurada será sua percepção.

Quem conhece uma árvore ou determinada flor pela imagem de livros, certamente não as percebeu da mesma forma que as crianças que tiveram a oportunidade de ver, tocar, cheirar, sentir. E, mesmo tendo essas experiências juntas, terão percepções diferentes umas das outras. “A vivência de cada criança é evidenciada em seus desenhos, afinal, eles são uma manifestação simbólica”, finaliza Claudia.