Recuperar as brincadeiras: desafios das aulas de Educação Física

Recuperar as brincadeiras: desafios das aulas de Educação Física

COLÉGIO SANTA MARIA

17 Maio 2018 | 07h13

As brincadeiras da infância, tão essenciais para o desenvolvimento social e motor das crianças, atualmente estão quase que confinadas aos pátios e quadras das escolas, devido às preocupações com a segurança por parte das famílias.

Nesse contexto, aprender, experimentar e fruir as brincadeiras da cultura popular regional,tem sido o mote das aulas de Educação Física no 1º ano do Fundamental do Colégio Santa Maria, para favorecer a necessidade de correr, explorar os espaços, e vencer obstáculos que as crianças expressam.

A caminhada até as quadras já oferece desafios com as irregularidades do terreno e a condução dos professores incentivando a criatividade para que pulem, subam, andem em um pé só, em ritmos variados recitando parlendas…

Ao ensinar as brincadeiras e jogos, os professores Wallace Marante e Claudio Natacci discutem a importância da observação das normas e regras para assegurar a integridade própria e a dos demais participantes proporcionando momentos de aprendizagem corporal, rítmica e relacional.

Além disso, as rodas de conversa permitem a investigação de brincadeiras de outros tempos, relembradas pelos pais e avós, que recuperam aspectos da nossa cultura popular enriquecendo o repertório dos alunos, que podem reproduzi-las em outras situações sociais.

Numa das aulas, já tendo aprendido várias brincadeiras, os alunos elegeram “Escravos de Jó” como a preferida pelas famílias.

Para criar novos desafios à criatividade, investigamos variações nos movimentos e na maneira de cantar.  A letra era omitida aos poucos sendo substituída por assovios ou simplesmente entoando a melodia. Bolas, bastões e arcos foram introduzidos, bem como novos posicionamentos espaciais: em roda, em linhas.

Nas salas de aula puderam trabalhar a letra, em Língua Portuguesa com as professoras de sala e a representação, em Artes, desenhando o corpo em movimento. Nas aulas de Música, estudaram a estrutura rítmica da melodia e como esta lógica está presente também em outras brincadeiras cantadas.

Pesquisando a letra, descobrimos quem eram os Escravos de Jó,  por que eles jogavam caxangá e o que significa “Zigue Zigue Zá”, relacionando a brincadeira com a chegada dos povos do continente africano ao Brasil.

As fotos ilustram momentos das aprendizagens dos nossos alunos com a brincadeira dos Escravos de Jó e suas variações, criadas pelo professor Cláudio Natacci.