Racista, eu?

Colégio Santa Maria

08 Setembro 2017 | 07h30

Autoria: Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas

O Colégio Santa Maria deu um passo significativo na formação continuada de seus colaboradores, com oficinas sobre reformas da previdência e trabalhista, cidadania, feminismo, equilíbrio nutricional, impactos da tecnologia, ética na comunicação digital, entre outras. A relevância de todos os temas é inegável, mas detenho-me na oficina que ministrei juntamente com a Orientadora do 8º ano, Maria Cristina Forti: “Racismo: definição, reflexão e combate”.

Falar sobre racismo institucional é, antes de mais nada, falar sobre nosso cotidiano e o quanto naturalizamos condutas e posturas discriminatórias, sob o falso viés da descontração, da piada, do politicamente correto.

A dificuldade de assumir-se etnicamente tem sido vencida com políticas afirmativas e aumento (mesmo tímido) da representatividade de negros e negras em programas televisivos, propagandas, produtos e serviços.

Abordar tais questões em um treinamento de funcionários mostra o quão importante é atrair a comunidade escolar para debates que fazem parte de seu cotidiano.

Na ocasião, tivemos a oportunidade de nos aprofundar em algumas definições conceituais que são tratadas (equivocadamente) como sendo a mesma coisa: RACISMO pressupõe a existência de hierarquia entre grupos humanos, destacando diferenças físicas, intelectuais, psicológicas; PRECONCEITO é a estigmatização por estereótipos, a partir de um julgamento prévio negativo; DISCRIMINAÇÃO é a violação de direitos com base em critérios injustificados e injustos, como: raça, sexo, idade, religião etc.

Discutimos o contexto histórico em que o racismo no Brasil fora instituído, incluindo um projeto de branqueamento com incentivo às imigrações alemã e italiana, em meados do século XIX. O forjamento de uma nação brasileira na Era Vargas foi outro tópico que gerou reflexão sobre a instituição de datas cívicas, a feijoada tornando-se comida nacional, a capoeira sendo oficializada como modalidade esportiva, a exaltação ao trabalho.

A inteiração foi bastante dinâmica, sobretudo com exemplos pessoais vivenciados dentro e fora do Santa Maria. O envolvimento foi genuíno quando dados alarmantes sobre mercado de trabalho, diferenças salarias, escolaridade ilustraram o quanto o racismo e a discriminação estão presentes em nossa atual realidade.

Para finalizar, foi salientado que a intenção da oficina não foi criar uma atmosfera de vitimização ou de lamentação, mas de fortalecer o combate ao racismo, sem incorrer na tendência clássica de minimizar (ou negar) sua existência.

O encontro foi muito intenso, principalmente por ter saído dali reflexivos, mais próximos e com uma sensação de “quero mais”.