Quem são os alunos da Educação de Jovens e Adultos.

Quem são os alunos da Educação de Jovens e Adultos.

COLÉGIO SANTA MARIA

02 Agosto 2017 | 07h30

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos que trata especificamente da questão educacional em seu artigo 26, diz: “O direito à educação é reconhecido, juridicamente, tanto no cenário internacional como no nacional”.

No âmbito internacional, no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ratificado pelo Brasil, em seu artigo 13, afirma: “Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa à educação. Concordam em que a educação deverá visar ao pleno desenvolvimento da personalidade humana e do sentido de sua dignidade e fortalecer o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Concordam, ainda, em que a educação deverá capacitar todas as pessoas a participar efetivamente de uma sociedade livre, favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e entre todos os grupos raciais, étnicos ou religiosos e promover as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz”.

Porém, a realidade brasileira é outra. O censo demográfico do (IBGE, 2010) confirma que o Brasil possui aproximadamente 13 milhões de jovens e adultos analfabetos, correspondendo a 9,6% da população de 15 anos ou mais. É considerada alfabetizada a pessoa capaz de ler e escrever um bilhete simples (IBGE, 2010).

Segundo o IBGE, a maior parte dos analfabetos brasileiros encontra-se na região nordeste, em municípios com até 50 mil habitantes, na população com mais de 15 anos, entre negros e pardos e na zona rural, ou seja, na população historicamente marginalizada (IBGE, 2012).

Referendando esses dados, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) afirma que a renda ainda é o principal fator que determina o analfabetismo no Brasil.

Famílias que ganham até um quarto de salário mínimo por mês apresentam 20 vezes mais analfabetos do que famílias que ganham entre três e cinco salários mínimos (IPEA, 2012).

Sobre o analfabetismo configuram um cenário de desigualdades conferido a fatores como concentração de terra, renda e oportunidades que caracterizam a sociedade brasileira.

As regiões Sul e Sudeste apresentam taxas de analfabetismo de 4,9% e 4,8%, respectivamente. Em São Paulo, cerca de 383 mil pessoas são analfabetas. Os dados fazem parte do Mapa do Analfabetismo lançado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep-2015).

O processo migratório é apontado, na pesquisa, como uma das principais causas do analfabetismo em São Paulo. Mostra, ainda, que 76% dos alunos atendidos na pela Educação de Adultos, na cidade, vêm do Nordeste. Quadro que tende a se agravar com a chegada de inúmeros refugiados que não dominam nossa língua e desconhecem nossa cultura.

Temos em São Paulo a maior concentração absoluta de pessoas não-alfabetizadas.  Na capital, o analfabetismo se concentra na faixa etária acima de 40 anos (cerca de 80%) e Grajaú é o bairro com a maior incidência. Mas não podemos ver esse dado de forma isolada. O combate ao analfabetismo deve ser uma política nacional para atingir também a causa desse problema nos grandes centros.

As mais recentes pesquisas indicam que a maioria dos educandos desse segmento (62%) está trabalhando ou buscando trabalho. O problema do desemprego atinge um percentual muito elevado, de 38%.

Dos que estão trabalhando, mais de um terço não tem registro de empregado ou autônomo, portanto, está inserido no mercado informal, sem os direitos garantidos pela legislação. A maioria dos que trabalham, 43%, ganha de 1 a 2 salários mínimos e outros 33% ganham mais de 2 a 5 salários mínimos.

Entre as motivações que levaram estes jovens e adultos a retornarem à escola estão a vontade de aprender, a necessidade de obter certificação e aumentar a escolaridade para atender as exigências dos empregadores que exigem pelo menos a conclusão da fase II do Ensino Fundamental.

Cabe lembrar que esses alunos trazem uma grande bagagem de pré conhecimento adquirido na vida e que não pode ser deixado de lado na composição do currículo escolar ou nas estratégias adotas pelos professores em sala de aula.

O sucesso da Educação de Adultos está diretamente relacionado à sensibilidade do professor que se dedica a ela. Ele precisa perceber e administrar diferentes aspectos como a condição socioeconômica dos educandos e suas trajetórias escolares interrompidas e marcadas pela exclusão.

Considerando a diversidade desses educandos, com situações socialmente diferenciadas, o Colégio Santa Maria entende ser preciso que a Educação de Jovens e Adultos proporcione seu atendimento por meio de outras formas de socialização dos conhecimentos e culturas.

Aprendemos mais e melhor aquilo que temos interesse em aprender. Sabemos ser difícil aprender algo que pouco nos diz. Daí a importância de propiciarmos uma aprendizagem significativa ao aluno.

Sendo assim, as nossas organizações metodológicas, nas práticas pedagógicas, contemplam, além dos três eixos articuladores propostos nas Diretrizes da Educação de Jovens e Adultos, Trabalho, Cultura e Tempo, o Respeito a História de Vida de cada aluno.

Nosso currículo expressa e oferece os conhecimentos necessários para a compreensão histórica da sociedade, usa metodologias que dão voz a todos os envolvidos com uma avaliação que encaminhe para a emancipação, como uma das necessidades de superação das desigualdades.