Quando o mundo é uma grande sala de aula

Colégio Santa Maria

24 Outubro 2017 | 08h16

Autoria: Robson Veríssimo

A escola é um espaço privilegiado para a construção do conhecimento, isso é inegável. Contudo, será que o espaço físico limitado por suas paredes é suficiente para fornecer experiências de aprendizagem plenamente significativas para compreender o mundo ao qual pertencemos? Apesar da infinidade de recursos pedagógicos presentes nesse espaço, a sala de aula não basta em si mesma: se o mundo está presente na escola e o estudante está presente no mundo, então nada mais justo que sair pelo mundo em busca de experiências enriquecedoras.

Ao romper com exercícios pedagógicos engessados e incumbir ao aluno um papel ativo na produção do conhecimento, são criadas possibilidades de diálogo inteligente com o mundo. Nesse sentido, a experiência do Estudo do Meio produz resultados que vão além da mera visitação a um novo espaço, abrindo um vasto universo de possibilidades para ações interdisciplinares. Nesse sentido, o estudo do meio é uma ferramenta valiosa para o enriquecimento das experiências de aprendizagem, e faz parte da realidade do Colégio Santa Maria em todos os níveis de ensino.

O trabalho exige um rigoroso planejamento para a articulação das propostas pedagógicas com os objetivos de aprendizagem pretendidos, considerando as demandas de aprendizagem dos alunos nos mais diferentes componentes e séries. Vale destacar que um projeto de Estudo do Meio não pode estar restrito à etapa da saída pedagógica: é necessário que a mediação docente contemple experiências de pesquisa em sala de aula, metodologia de pesquisa em campo, tratamento e ampliação das informações adquiridas, e, sobretudo, propostas que possibilitem sua consolidação em aprendizado pleno.

Foi com base nessa concepção que os alunos do 6º ano participaram de uma experiência colaborativa de aprendizagem, desenvolvida em conjunto nas aulas de Geografia e História a partir do Projeto Criança Ação, que buscava, entre outras coisas, investigar as condições de saneamento básico e moradia de crianças e jovens em diferentes lugares. A participação dos estudantes em cada uma das etapas do estudo foi registrada e, ao final do processo, sintetizada em uma produção digital intitulada conexões: relatos do estudo do meio realizado na Baixada Santista.

Entre as principais etapas do projeto realizado, é possível destacar três grandes blocos de atividades:

  1. A) As atividades de PRÉ-CAMPO, que consistiram em experiências de pesquisa em sala de aula, a fim de trazer as primeiras informações sobre a área de pesquisa em questão. Aqui foram também definidas as equipes de trabalho e as tarefas individuais de cada estudante, além da preparação de todos os materiais necessários para a etapa seguinte, como por exemplo os roteiros de entrevista que seriam realizados com moradores, tendo como foco o modo de vida local e suas especificidades.
  2. B) O TRABALHO DE CAMPO, no qual ocorreu a visita à Baixada Santista, onde cada equipe foi organizada de forma a realizar registros escritos, visuais (fotografias) e orais (entrevistas e gravações): uma série de atividades que permitiram a investigação das condições de moradia, saneamento básico, impactos ambientais, acesso a serviços e direitos básicos, dentre diversos outros aspectos do litoral que permitiram ampliar os conhecimentos sobre o assunto, descobrir novas informações e comparar o que já se sabia com o que estava sendo descoberto.
  3. C) Finalmente, durante as atividades de PÓS-CAMPO realizadas após o trabalho de campo, em posse de todos os registros com as novas informações coletadas, foi possível analisar e ampliar as impressões de cada equipe de trabalho ao reunir os registros individuais e comparar com as produções dos demais grupos, processo que permitiu a síntese das impressões coletivas e culminou na produção digital Conexões, organizada nas aulas de Geografia e História.

Construída a muitas mãos, a síntese que pode ser acessada no link http://anyflip.com/hthw/ewel/ é uma interessante oportunidade de observar as impressões dos estudantes sobre as diferenças socioespaciais entre a cidade de São Paulo e a Baixada Santista, que serviram de base para o desenvolvimento dos cursos de Geografia e História ao longo do terceiro bimestre.