“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar…

“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar…

Colégio Santa Maria

21 Novembro 2017 | 08h51

Autoria: Carolina Ferrucci e Lucimar Medeiros

 

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar…

A minha gente sofrida despediu-se da dor.”

 

Aconteceu no Colégio Santa Maria uma excelente apresentação “intelecto-musical” sobre os três primeiros Festivais da Música Popular Brasileira ocorridos na década de 1960.

Com a fluente comunicação do Prof. Luciano Thel e a voz potente de Zé Alexandre, pudemos relembrar e, para alguns, conhecer parte importante da história da música popular brasileira (MPB) com seus grandes expoentes, entre eles, Caetano, Gil, Marília Medalha, Nara, Elis, Edu Lobo, Chico, Oswaldo Montenegro, Roberto Carlos e o próprio Zé Alexandre.

A apresentação se deu entremeando História e Arte: contexto histórico da Ditadura Militar no Brasil e algumas músicas apresentadas nos festivais da década de 60, envolvendo e inebriando os alunos da EJA – Educação para Jovens e Adultos.

O 1º Festival aconteceu em 1965, na TV Excelsior de São Paulo, com “Arrastão” (de Edu Lobo e Vinícius de Moraes), na voz de Elis Regina, ganhadora do primeiro lugar. “Arrastão” caiu no gosto popular, pois retratava um pouco do cotidiano de uma população pouco favorecida no meio social e que naquele momento aparecia como agente de sua história em um país cuja sociedade estava muito oprimida politicamente.

No 2º, em 1966, foi a vez de “Porta Estandarte”, de Geraldo Vandré e Fernando Lona, interpretada por Tuca e Airto Moreira. No mesmo ano, em outubro, já na TV Record, ganharam em primeiro lugar “A Banda”, composição de Chico Buarque, voz dele e de Nara Leão; e “Disparada”, composição de Geraldo Vandré e Théo de Barros, na voz de Jair Rodrigues.

“A Banda” contagiou a plateia tanto do Festival quanto do auditório do Santa Maria com os alunos da EJA, provando mais uma vez que a arte é atemporal e deixa suas marcas no inconsciente coletivo de uma sociedade.

Assim como contagiou também a música “Disparada”, vigorosa canção de protesto surgida até então, um verdadeiro cântico revolucionário, com poesia marcante e significativa, pois apresentava o homem comum e simples, o trabalhador que era tratado como gado e passivo a essa situação atuando nessa sociedade oprimida.

A identificação com os nossos tempos não poderia deixar de existir. A partir dessas músicas, muitos alunos fizeram uma reflexão crítica importante sobre a nossa atual história política do país.

Na referida noite, no teatro do Colégio, alunos da EJA e sua equipe pedagógica tiveram a honra de reverenciar com muitos aplausos o Prof. Luciano Thel e o artista Zé Alexandre. Fomos enriquecidos com um tanto de história e sua transmissão por meio da música que expressou, principalmente, a insatisfação dos jovens com os governos do período militar.

Tropicalismo, Jovem Guarda, Bossa Nova, rechearam a história dos festivais televisionados ao vivo e com grande participação da plateia e telespectadores.

A par de todo o sofrimento causado e deixado pelo período da Ditadura Militar, através da música e da poesia de protesto que ela apresentava na época, pudemos resgatar o valor da Arte em nossos alunos da EJA, pois, no decorrer da apresentação, se emocionaram e participaram ativamente dos diversos momentos propostos pelos convidados, e por alguns momentos, também se esqueceram de sua “dor diária” promovida por uma sociedade injusta e desigual.

Referências:

Site: http://www.luizamerico.com.br

Documentário “Uma noite em 67” (Direção: Renato Terra e Ricardo Calil, 2010).